quarta-feira, 15 de setembro de 2010

pequena reflexão sobre eu e ele



Hoje um garotinho entrou no ônibus, contou qualquer história e pediu dinheiro. Ele pediu de forma tão bonitinha, tão engraçadinha, a coisa mais cuti-cuti. Eu o mandaria direto para protagonizar qualquer história sobre crianças sofridas. Mas ele estava lá, pedindo dinheiro com aquele jeitinho fofo, engraçadinho. Todo mundo achou fofo. E mesmo contrariando meus princípios de não dar dinheiro para crianças, porque quase sempre tem uma pessoa por trás que se beneficia disso, eu dei uma moeda.

Dei a moeda mais dourada que tinha, de vinte e cinco centavos.

Todo riu depois. "Desse jeito, quem não dá?" diz uma mulher. Mas...

Até quando? Não é justo que eu tenha acesso à internet, comida em casa e uma boa educação enquanto crianças estão pedindo dinheiro em ônibus, talvez para pagar vícios delas ou de outras pessoas, talvez para comprar pão e leite. Simplesmente não é justo que tanta gente tenha tão pouco e pouca gente tenha tanto. Me pergunto o quão abriria mão dos meus privilégios para que mais pessoas pudessem viver bem, mas me pergunto primeiramente quais os privilégios que tenho. Tenho o privilégio de estudar numa boa escola, de ter computador e acesso aos livros, revistas, jornais. Tenho o privilégio de não precisar trabalhar.

Porque quando tentamos mudar isso, nos chamam de comunistas? Não vai ser possível nivelar a sociedade por cima: é impossível todos nós termos um padrão de vida que exige demais do planeta. Para todas as pessoas serem igualmente ricas como americanos, é preciso que haja escravidão. Não sou socialista, comunista, anarquista, somente acho que o capitalismo pode e vai falhar a qualquer momento, porque se ele é a base do lucro, então para que alguém realmente lucre, é preciso que alguém perca. Eu não sou a favor disso. Eu não gosto da idéia de que é natural a desigualdade social. Não é.

A seleção natural é, sim, parte da nossa natureza. Os melhores se sobressaem, isso acontece em qualquer lugar. Mas não quer dizer que podemos agir como leões exigindo seu território e criar uma sociedade completamente desigual. Afinal numa selva de verdade dois leões saudáveis tem a mesma chance dada pela natureza. Na nossa selva, a pessoa perde a chance de competir só ao nascer numa família errada em um lugar errado.


terça-feira, 7 de setembro de 2010

O pop que me deu o caminho.

Olha, eu não sei como eu comecei a ser feminista.

Eu só sei que sou. Desde que me entendo por gente, eu sou. Era um comportamento natural, ao meu ver, de mulheres. Eu achava que todas as mulheres eram assim: por quê alguém seria contra a idéia que dava às mulheres o que era de direito delas? Eu entendia os homens: eles eram machistas e grosseiros, e cuspiam no chão. Era nojento, mas eu entendia que eles não queriam ver as mulheres se igualando a eles. Mas na minha cabecinha infantil, todas as mulheres eram feministas. Feministas não, que nem sabia o que significava a palavra. Mas a palavra na minha cabeça dizia a mesma coisa. Assim como todos os negros eram contra o racismo, todos os gays eram contra a homofobia, as mulheres seriam contra o machismo. Minha cabeça funcionava assim. E deveria ser assim, mas demorou muito tempo até eu entender que as mulheres são vítimas e agentes desse machismo e a mesma coisa acontece com negros e gays: a sociedade existe de tal forma que quem vai contra a corrente costuma se sentir muito culpado de ter um pensamento não-corrente.

Mas eu creio que um marco fatal no meu feminismo foi eu assistir um videoclipe. Não lembro quantos anos eu tinha, mas eu lembro que estava na sala e estava passando o canal de videoclipes da Multishow. Eu preferia Multishow porque os clipes passavam legendado (não sei se ainda passam), então eu entendia o que aqueles rappers e Madonna estavam cantando. Foi nessa época que comecei a amar Madonna (e peguei o dia que ela passou o clipe censurado de American Life, que eu amo). E foi quando eu assisti um clipe chamado Can't Hold Us Down. Eu nem sabia quem era Christina Aguilera. Quer dizer, até sabia porque ela tinha sido capa da Capricho, mas nunca tinha ouvido, falar, nada. Eu só sabia que ela era uma cantora que vestia roupas muito sensuais. O termo mais gentil para descrevê-la que as revistas usaram foi "vadia". E ela cantou naquele clipe e a mensagem ficou impregnada.

Sabe quando o mofo pega na roupa e não quer mais sair? Foi exatamente desse jeito.

Passou uma vez, nunca mais vi, deixei para lá. Durante esses anos, esqueci quem era a cantora e o nome da música. Não sabia nada, só que ele era com uma mulher de cabelo preto, boné, top e short que personificavam a indecência em roupa. E era rosa! Mas eu lembrava a letra.

"Então porque eu não deveria ter uma opinião
Eu deveria ficar calada só porque sou uma mulher"

Foram essas duas frases que mais me marcaram. Era só uma música. E embora eu já fosse feminista (mais ou menos, cegamente, sem ter consciência), foi com essa música que já passei a questionar um monte de coisas. Passei a questionar sobre a minha postura que embora acreditasse que mulheres tinham que ter direitos iguais, tal coisa não abrangia os direitos sexuais. Acreditava piamente que menina tinha que se dar ao respeito, que aborto só em estupro, porque a mulher tinha que aguentar as consequências do que fazia, que ninguém mandou ela abrir as pernas. Todos esses clichês de pessoas que tem horror ao feminismo, de pessoas que se dizem feministas, enfim eu acreditava que as mulheres tinham que ser consideradas iguais no trabalho, mas não podiam desonrar o movimento agindo como "vagabundas". E esse clipe, com Christina Aguilera trajada indecentemente, mudou isso completamente. Ele não quebrou de imediato, mas plantou a semente. É por isso que hoje eu sou fã dela: quantas pessoas, com palavras, conseguem mudar conceitos tão arraigados na nossa mente?

Dali em diante, calei minha boca em relação à muitas besteiras que eu dizia. E passei a ser muito, muito mais militante. Nem tanto em relação ao feminismo, mas eu relacionava machismo com homofobia e com total repulsa ao machismo, passei a defender fervorosamente os gays. A defesa era tão veemente que eu creio, na minha antiga escola, que despertava até suspeitas de que eu fosse lésbica (o que seria muito engraçado, mas enfim). A defesa veemente em favor das mulheres veio mais tarde. Por causa de Christina Aguilera e Madonna.

Eu não aceitava quando as pessoas diziam que Madonna estava velha. Que ela era uma múmia, que não fazia música boa, que estava feia, gasta e quem vive de passado é museu. Como assim? Michael Jackson tinha praticamente a mesma idade e ninguém criticava ele por fazer música. Ele estava praticamente uma caveira com todos os problemas que passou na vida, mas ninguém falava mal dele (só da pedofilia, mas isso é outro assunto). E Rolling Stones? Eles continuam lá tocando, cantando, mas quem se atreve a falar mal deles? Mas todos adoram falar de Madonna. Que está velha, gasta, feia, que não presta para dançar, está sem graça, o escambau. E o mesmo veneno corria com Christina Aguilera: que ela era puta, vadia, vagabunda, vulgar. E com Britney, em seus tempos terríveis, tudo foi uma desgraça: ela era drogada, careca, bêbada e estava tendo problemas judiciais. O que eu estava reparando é que as pessoas falavam demais das cantoras. Mas pouco dos cantores. Ninguém se incomoda com homens que queiram cantar até os 80. Mas quando é uma mulher, vestida com shorts e minissaia, namorando um cara com a metade da idade dela, todos se incomodam.

E foi aí que passei a ter consciência do feminismo que eu tinha. Porque eu percebi que se eu queria defender o que eu considerava minhas divas, eu tinha que ter argumentos. E eu encontrei argumentos no feminismo que serviram não só para isso, mas também para tudo que eu fizesse na vida. Nesse ponto entrou o blog EscrevaLolaEscreva e juro que não é porque estou puxando o saco, mas realmente mudou alguns conceitos e fortaleceu outros. É simplesmente porque tinha coisas que eu nunca tinha parado para pensar como cavalheirismo e aborto. Mudei várias idéias minhas novamente, adaptei-as à minha realidade e me tornei uma defensora de mulheres. Acabei indo além do feminismo: passei a defender mulheres. Eu sou totalmente parcial nessa questão: eu sempre vou defender mulheres. Em qualquer caso, sempre vou defendê-las. Eu defendo todas as "putas" que a sociedade abomina, defendo todas as donas-de-casa que querem reconhecimento, defendo todas as moças que querem trabalhar e não casar, defendo as que não querem ter filhos e defendo as que querem ter muitos filhinhos. Defendo as doutoras, professoras e eu, pessoalmente, encaro cada pequena vitória como pessoal. E eu tento passar isso para minha prima. Apesar de ela crescer na moda, nesse meio que eu acho que estão sexualizando demais a criança com sapatinhos de salto e coisas do tipo, eu tento passar o meu feminismo para ela. E eu fico feliz que dá resultado. Eu fico feliz ver que tem pessoas que mudaram seus conceitos sobre Christina Aguilera quando eu passei a apontar a hipocrisia da sociedade que mal repara na voz dela, e na mensagem que ela passa, e sim nas roupas que ela usa. E eu fico feliz de perceber que o feminismo é a corrente que encontrei para minha vida, mais forte do que qualquer outra. Porque o feminismo defende a igualdade entre gêneros, e eu tenho o sonho de ver o dia que as mulheres não recebam mais a culpa por serem estupradas.

Mas às vezes sempre me pergunto se vai adiantar. Só que eu tenho que acreditar que vai adiantar, que toda a nossa luta irá em frente. Por que se as feministas não defenderem e apoiarem a mulher, quem vai ajudá-las?



Post feito aos 46:00 do segundo tempo para o concurso A Origem do Meu Feminismo, do blog Escreva, Lola, Escreva. Fiz às pressas porque passei esses dias envolvida com uma prova, com a Olímpiada de História e com a letargia mental que me fazia adiar tudo que tinha que fazer, como postar no blog! Espero que me entendam...

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

me botem pra dormir por mil anos!

O feminismo é o veneno da humanidade.
O feminismo é o movimento subversivo, é o ato insensato, é a ira de quem nunca deveria se levantar. Muito menos falar. Por que sabe como é, as mulheres são feitas para serem apreciadas por seus corpos, por seus cabelos. São feitas para serem vistas, agredidas, estupradas e mortas. O feminismo não existe mais. O feminismo morreu. O feminismo é inútil. Agora só há feminazistas. Elas não são chatas, caolhas, lésbicas, fedidas, peludas e vivem com sete gatos escrevendo furiosamente sobre relações sexuais. No fundo, todas elas querem é serem pegas à força. Quem sabe até arrastadas pelos cabelos. Não há problema em fazer um editorial de moda com mulheres mortas. Ou violentadas. Elas GOSTAM da violência, da agressão, da força contra elas. Elas amam os hematomas, o olho roxo, os arranhões, as ameaças. Elas procuram por isso. Elas podem ser divididas como fossem pedaços de carne. A meiguinha é como um pintinho. A maternal é uma galinha cocoricó. A puta, ah, essa é a cadela no cio. Dá pra todos, sem hesitar. É perseguida pelo faro. Tem mais é que ser abusada mesmo, e dar um monte de filhinho pra aprender. Quem mandou ser vadia?

Mulher é imoral. É corrupta, é burra, é ingênua, é boba, é lasciva. Mulher não vale nada. Mulher de minissaia é um perigo. Claro que a culpa do estupro é dela. Claro que ela deve se casar. Ela deve ter mais honra que qualquer um de nós. Mulher é lixo. Mulher não vale nada. Tudo bem bater nelas, elas estão pedindo, estão merecendo, estão implorando, chorando, se descabelando por isso. Elas querem, estão ouvindo?, elas QUEREM E DESEJAM por mais um hematoma. Por mais um estupro. Por mais um tapa, uma ofensa, uma cantada grosseira, uma desqualificação profissional. Elas gostam de vídeos de estupros reais. Elas gostam de serem vistas como objetos sexuais, como bifes no açougue, como tentativas grosseiras de serem homens. Elas gostam que a gente diga que suas vaginas sejam ditas como "pênis castrados".

Quem precisa de feminismo? Elas tem direitos demais. Elas podem votar e não precisam cobrir os cabelos. Elas podem sair na rua e reclamarem de estupros. Elas podem trabalhar ao lado de caras, elas podem andar sozinhas, elas podem estudar o quanto quiserem. Elas não precisam de mais do que já tem. Elas não precisam das feministas, ninguém precisa das feministas. Elas cheiram mal. Elas falam algo sobre igualdade. Que igualdade? Mulheres não são iguais aos homens. O que essas feministas querem agora? Que as mulheres coçem o saco? Que deixem o pêlo do sovaco crescer? Que sejamos todas brutamontes feito os homens? Nada disso, temos que ser delicadas, comportadas, cheirosas, damas. Não podemos correr, que é feio. Nada de gritar, se descabelar, fumar, beber, rir alto demais: é vulgar. Quem se importa que homem faça tudo isso e não seja mal visto? Ele pode transar com mil mulheres, não será demitido em sua empresa. Mas é a ordem natural das coisas, não devemos atrapalhar isso. As feministas estão indo CONTRA essa ordem natural. Elas querem que todos sejam iguais e isso nunca vai acontecer. Aliás, isso é perigoso. Tão perigoso quanto os comunistas, e todo mundo sabe que eles não são homens de bem. Vamos queimar as feministas! Quem precisa delas mesmo?

Além disso tudo, eu reuni essas lindas e admiráveis campanhas de moda repletas de sentido artístico do blog Síndrome de Estocolmo.









Essas belas fotografias são publicadas na conceituada Vogue (a mesma que passa em cima da diversidade étnica). Um belo exemplo de arte. E não está satisfeito? Realmente não? Então veja essa bela montagem que foi divulgado por um twitter de mulheres que riu muito, afinal a imagem é engraçadíssima! Quem não adora um humor negro?



sábado, 28 de agosto de 2010

eu vivo de escrever

Eu sempre quis escrever. Mesmo quando criança e desejava inúmeras carreiras paralelas (estilista, empresária, acionista da Coca-Cola, etc, etc,), eu queria ser reconhecida como a escritora mais bombástica do mundo. Escrevia livrinhos pequenos sobre amigos que iam para floresta e se perdiam e morriam com uma luz verde (plágio de Harry Potter!) e sobre usuários de drogas que se arrependiam (assistia muito O Clone) e assinava com um pseudônimo que não estou lembrada qual era, mas era alguma coisa Leite. Meus planos eram escrever um livro até os meus quinze anos para ser reconhecida como a precoce espetacular escritora. Já pensava na cara de inteligente que tinha que fazer nas minhas fotografias oficiais (e haveria do lado, nas revistas, "Fonte: Divulgação"!) e nas críticas que a Veja faria ao meu livro, me chamando de a estrela literária do século XXI. Como podem ver, minhas pretensões infantis não eram nada modestas.

Obviamente não lancei nenhum livro até agora, e ainda que se eu lançasse um livro agora e pudesse ser chamada de "precoce talento", duas coisas fizeram as coisas andarem mais devagar. Primeiro foi a série Harry Potter. A escritora demorou cerca de dez anos até se sentir contente o suficiente com A Pedra Filosofal para enviar às editoras. E depois que começou, já tinha o gancho e foi bem mais fácil, claro. Mas só o fato de ela ser paciente, de ela ter reescrito tudo várias e várias vezes já me fez parar para pensar que eu, na verdade, estava sendo muito apressada. Eu não preciso escrever algo para me tornar a mais jovem escritora espetacular ou ganhar um Nobel com vinte anos de idade. E a segunda coisa, que foi muito mais impactante, foi Crepúsculo. Eu critico, falo mal, desdenho, piso e humilho a série e não me arrependo nem um pouco. O negócio é que desde que descobri que Meyer escreveu o livro em três meses, a sensação de que a pressa é inimiga da perfeição persistiu.

Não que Meyer tivesse pressa. Ela mal sabia no que estava se metendo, ora bolas. Mas eu fiquei pensando: e se eu escrever rapidamente um livro porque quero ficar reconhecida logo, mas o livro fica um lixo e eu tenho péssima fama no mundinho literário como Meyer? Eu não quero ser equiparada à ela! Não quero lançar um livro pra depois falarem que é justificável ser ruim, eu escrevi em apenas alguns meses e nem revisei nada! Porque tem gente que escreve obras-primas em alguns meses, mas essas pessoas não são eu. Eu demoro meses para ficar satisfeita com alguma coisa, e eu não gosto de nenhum dos meus contos. Acho-os bons, razoáveis, mas são aquela coisa que faria qualquer pessoa chorar de emoção? Definitivamente não. Então simplesmente relaxei com a coisa do tempo. Ok que brinco que daqui a dez anos vou estar autografando na Bienal. Mas assim, não é nenhuma obrigação. Eu quero lançar ~ quando lançar ~ livros bons de verdade e eles não vão sair tão cedo. Ainda falta muita coisa para algum texto meu ficar decentemente bom. Eu quero alguma coisa que me deixe satisfeita e no momento só tenho fragmentos de coisas que poderão ser boas.

Eu adoro escrever. Eu amo delinear histórias, planejar personagens, adicionar carga dramática. Eu adoro saber que posso passar inúmeras mensagens e referências em cada letra, que posso agir como fosse um deus. A deusa das palavras, sabe como é? Mas ainda falta muita coisa: eu não sei fazer humor, sou péssima em trocadilhos, odeio as minhas descrições, não quero escrever eternamente em metáforas como é meu estilo mais aprimorado. Eu gosto de humor e sarcasmo, mas não sei escrever desse jeito. Minha tentativa que ficou mais perto disso foi o meu conto Julia, mas definitivamente não está nem perto do meu objetivo. Às vezes eu queria conseguir ser um pouco Meg Cabot que escreve livros sem parar, e apesar de achá-la boa no que faz, dá para perceber que às vezes ela meio que se perde. Imagino que o tanto de livros seja obrigatoriedade do contrato, e eu sempre fico pensando se eu conseguiria aguentar isso. Imagina só, você tem a vida toda para o seu primeiro livro. Faz sucesso, aí a editora encomenda um segundo livro e que ele faça tanto sucesso quanto o primeiro! É como a história do primeiro e segundo CD. O segundo CD tem que ser tão bom quanto o primeiro! Acontece que todo mundo meio que ajuda mais no segundo CD: tem mais produtores, mais cantores, mais compositores, mais gente que analisa aquilo. Nos livros, nem tanto. Primeiro que nem tem uma fórmula X que ajude a vender pra caramba. E isso é complicado.

De qualquer modo, quem se importa? Provavelmente morrerei na miséria, porque ninguém quis pagar um centavo para que eu pudesse ter um sucesso com meus futuros e imaginários livros subversivos. Morrerei passando pelas livrarias e olharei aqueles romances sobre casamentos e mulheres de salto e sempre direi que posso escrever melhor. Porque eu sempre posso escrever melhor. Eu não sei fazer nada: não sei cantar, nem atuar, nem mentir, nem lavar banheiro, nem fazer um bolo, nem ter paciência com as pessoas, nem arrumar um quarto. Morreria de fome se precisasse ser faxineira. Tudo o que sei fazer é um miojo e olhe lá, porque eu nunca uso temperos variados, só o do saquinho. Tudo o que sei fazer é escrever (e algo de desenhar. Quem acha que desenho super bem, na boa, precisa ver ilustrações de verdade, não meus rabiscos) e eu sei que posso fazer isso melhor do que faço. E esse talento ninguém me tira, senão eu me lasco.



Ah, céus, perdi o prazo da Blorkutando. :~