sábado, 28 de agosto de 2010

eu vivo de escrever

Eu sempre quis escrever. Mesmo quando criança e desejava inúmeras carreiras paralelas (estilista, empresária, acionista da Coca-Cola, etc, etc,), eu queria ser reconhecida como a escritora mais bombástica do mundo. Escrevia livrinhos pequenos sobre amigos que iam para floresta e se perdiam e morriam com uma luz verde (plágio de Harry Potter!) e sobre usuários de drogas que se arrependiam (assistia muito O Clone) e assinava com um pseudônimo que não estou lembrada qual era, mas era alguma coisa Leite. Meus planos eram escrever um livro até os meus quinze anos para ser reconhecida como a precoce espetacular escritora. Já pensava na cara de inteligente que tinha que fazer nas minhas fotografias oficiais (e haveria do lado, nas revistas, "Fonte: Divulgação"!) e nas críticas que a Veja faria ao meu livro, me chamando de a estrela literária do século XXI. Como podem ver, minhas pretensões infantis não eram nada modestas.

Obviamente não lancei nenhum livro até agora, e ainda que se eu lançasse um livro agora e pudesse ser chamada de "precoce talento", duas coisas fizeram as coisas andarem mais devagar. Primeiro foi a série Harry Potter. A escritora demorou cerca de dez anos até se sentir contente o suficiente com A Pedra Filosofal para enviar às editoras. E depois que começou, já tinha o gancho e foi bem mais fácil, claro. Mas só o fato de ela ser paciente, de ela ter reescrito tudo várias e várias vezes já me fez parar para pensar que eu, na verdade, estava sendo muito apressada. Eu não preciso escrever algo para me tornar a mais jovem escritora espetacular ou ganhar um Nobel com vinte anos de idade. E a segunda coisa, que foi muito mais impactante, foi Crepúsculo. Eu critico, falo mal, desdenho, piso e humilho a série e não me arrependo nem um pouco. O negócio é que desde que descobri que Meyer escreveu o livro em três meses, a sensação de que a pressa é inimiga da perfeição persistiu.

Não que Meyer tivesse pressa. Ela mal sabia no que estava se metendo, ora bolas. Mas eu fiquei pensando: e se eu escrever rapidamente um livro porque quero ficar reconhecida logo, mas o livro fica um lixo e eu tenho péssima fama no mundinho literário como Meyer? Eu não quero ser equiparada à ela! Não quero lançar um livro pra depois falarem que é justificável ser ruim, eu escrevi em apenas alguns meses e nem revisei nada! Porque tem gente que escreve obras-primas em alguns meses, mas essas pessoas não são eu. Eu demoro meses para ficar satisfeita com alguma coisa, e eu não gosto de nenhum dos meus contos. Acho-os bons, razoáveis, mas são aquela coisa que faria qualquer pessoa chorar de emoção? Definitivamente não. Então simplesmente relaxei com a coisa do tempo. Ok que brinco que daqui a dez anos vou estar autografando na Bienal. Mas assim, não é nenhuma obrigação. Eu quero lançar ~ quando lançar ~ livros bons de verdade e eles não vão sair tão cedo. Ainda falta muita coisa para algum texto meu ficar decentemente bom. Eu quero alguma coisa que me deixe satisfeita e no momento só tenho fragmentos de coisas que poderão ser boas.

Eu adoro escrever. Eu amo delinear histórias, planejar personagens, adicionar carga dramática. Eu adoro saber que posso passar inúmeras mensagens e referências em cada letra, que posso agir como fosse um deus. A deusa das palavras, sabe como é? Mas ainda falta muita coisa: eu não sei fazer humor, sou péssima em trocadilhos, odeio as minhas descrições, não quero escrever eternamente em metáforas como é meu estilo mais aprimorado. Eu gosto de humor e sarcasmo, mas não sei escrever desse jeito. Minha tentativa que ficou mais perto disso foi o meu conto Julia, mas definitivamente não está nem perto do meu objetivo. Às vezes eu queria conseguir ser um pouco Meg Cabot que escreve livros sem parar, e apesar de achá-la boa no que faz, dá para perceber que às vezes ela meio que se perde. Imagino que o tanto de livros seja obrigatoriedade do contrato, e eu sempre fico pensando se eu conseguiria aguentar isso. Imagina só, você tem a vida toda para o seu primeiro livro. Faz sucesso, aí a editora encomenda um segundo livro e que ele faça tanto sucesso quanto o primeiro! É como a história do primeiro e segundo CD. O segundo CD tem que ser tão bom quanto o primeiro! Acontece que todo mundo meio que ajuda mais no segundo CD: tem mais produtores, mais cantores, mais compositores, mais gente que analisa aquilo. Nos livros, nem tanto. Primeiro que nem tem uma fórmula X que ajude a vender pra caramba. E isso é complicado.

De qualquer modo, quem se importa? Provavelmente morrerei na miséria, porque ninguém quis pagar um centavo para que eu pudesse ter um sucesso com meus futuros e imaginários livros subversivos. Morrerei passando pelas livrarias e olharei aqueles romances sobre casamentos e mulheres de salto e sempre direi que posso escrever melhor. Porque eu sempre posso escrever melhor. Eu não sei fazer nada: não sei cantar, nem atuar, nem mentir, nem lavar banheiro, nem fazer um bolo, nem ter paciência com as pessoas, nem arrumar um quarto. Morreria de fome se precisasse ser faxineira. Tudo o que sei fazer é um miojo e olhe lá, porque eu nunca uso temperos variados, só o do saquinho. Tudo o que sei fazer é escrever (e algo de desenhar. Quem acha que desenho super bem, na boa, precisa ver ilustrações de verdade, não meus rabiscos) e eu sei que posso fazer isso melhor do que faço. E esse talento ninguém me tira, senão eu me lasco.



Ah, céus, perdi o prazo da Blorkutando. :~

9 comentários:

Cláudia Machado disse...

Eu sonhava/sonho em ser uma escritora. Meu primeiro livro eu dei de presente para minha mãe quando tinha 8 anos, e outro dia estava lendo a história e percebi que estava completamente sem nexo. Tá né, eu era uma criancinha ainda. Mas as coisas não mudaram muito. Eu queria saber escrever melhor, mas sinceramente não gostei de nenhuma das histórias que escrevi até hoje. NENHUMA história me agradou. E por naõ gostar delas, não terminei nenhuma.
Eu nunca tinha parado para pensar por esse lado, mas também não quero ser comparada com a Stephanie Meyer. Queria ter a habilidade de escritores como a JK e o Stephen King, mas não tenho, infelizmente. Mas estou tentando me aperfeiçoar com a prática, para que um dia, não importa se forem em 10 ou em 50 anos, eu possa escrever um livro e realmente me orgulhar do que está escrito. Sem arrependimentos. E eu pretendo retomar todas as histórias que eu criei, mas vai demandar bastante tempo, e paciência. E é aí que está o problema, além de aperfeiçoar a escrita eu tenho que aprender a ter paciência e escrever com calma, analisando cada detalhe. Tenho esperança de que ainda chegarei lá.
Mas não pretendo me alimentar das minhas palavras, porque sei que além de nunca ir tão longe, não iria conseguir me submeter a pressão de TER que escrever livros.
Agora, como profissão, decidi que vou ser Astrônoma (é diferente de astróloga, que são aquelas mulherzinhas dos signos, muita gente confunde), mas ainda tenho uma longo, e muito longo caminho para percorrer, além de que essa profissão exige mais de 10 anos de estudo para começar a ganhar alguma coisa. Não vou morrer de fome, mas não vou mergulhar em dinheiro. Eu pensei em desistir por causa da questão finaceira, mas percebi que, bem, o que importa é fazer algo que eu goste. É claro que eu posso mudar de ideia, ainda faltam 2 anos para o meu vestibular, mas é isso o que quero ser. Sei que vou ter que estudar MUITO, mas acho que vai valer a pena.
E, novamente, não sei porque escrevi tudo isso. É praticamente um post. Mas é que esse assunto me empolgou. Tudo que tem a ver com livros me empolga.
Adorei o seu post, ele me fez ver coisas que eu ainda não tinha parado para refletir muito bem.
E acho que você tem uma habilidade para escrever sim, pelo menos quando se trata de argumentos e coisas do tipo. Quanto a histórias eu não sei, nunca li nenhuma sua.
Beijos ;)

Cláudia Machado disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Franci disse...

Eu realmente gostei muito de Júlia, você é sucinta em descrições, mas isso ão é algo ruim.
Ah luna, você se parece tanto comigo nessa busca pelo sucesso precoce -q

Tipo eu sempre gostei de inventar histórias e ficar meio que dramatizando-as, mas o plano era ser uma mega atriz de filmes,do tipo que ganhava oscar e tal.Mas depois eu vi que iria ser sem graça atuar com personagens escrito por outros, aí eu resolvi que tinha que virar escritora pra fazer meus roteiros, o plano mágico era escrever um livro, este virar best seller , depois um filme no qual eu iria atuar.

Mas agora o que eu quero quando escrevo é simplismente registrar minhas histórias imaginárias, não deixar elas perdidas em minha mente. Eu já tenho iniciado 3 histórias, sendo que duas delas travam em uma parte, e a outra eu tô com preguiça de continuar escrevendo.Acho que é porque eu não gosto de escrever de fato, apenas odeio não registrar minhas idéias em algum lugar.






Cláudia.Meu professor de física é astrônomo.Ele trabalha no laboratório de pesquisas atronômicas da UFBA, e esnsina na minha escola e em outra universidade lá como professor de física, mesmo não sendo formado em física, acho que porque o curso de astronomia dá condições dele ensinar isso.

Aline J. Romy disse...

Eu me indentifiquei muito com seu post não sou boa em muitas coisas, sei cozinhar, mas o resto (cantar, dançar etc.) eu não sei. Gosto de escrever, e pretendo escrever um livro, mas ainda estou bem longe disso, mas não me importo se demorar. "Antes tarde do que nunca" Sei que com o tempo, e a prática vou melhorar e um dia, quem sabe, consigo escrever esse tal livro.
Acho que não tem como escrever um livro bom 3 meses, escrever um livro leva muito tempo. Você tem que pensar com cuidado na historia, personagens etc. Mas acho que a satisfação de ser reconhecida por um trabalho que levou 10 anos como o da JK é muito mais gratificante do que um trabalho que você praticamente vomitou como o da Meyer.
Enfim...Adorei o post!
Mil Beijos :*

Cris Cavaletti disse...

Acho que não dá para escrever um livro quando se está no Ensino Médio.Não sei se você conhece fanfics e webnovelas,mas é um meio legal de se ver isso.A grande maioria das escritoras de fanfics abandona o ramo quando chega no terceiro ano porque não consegue mais escrever seja por tempo ou pressão (quase físico isso,hein?).Os grandes autores precoces,tipo Alvares de Azevedo que escreveu sua obra até os vinte e um se eu não me engano,moravam numa época truly diferent.Então,pense,você ainda pode ter tempo para fazer isso e escrever sua grande obra!
E quanto mais experiência,mais coisa você tem a escrever.Se você conhece a Isabel Allende,sabe que ela escreve muito sobre a vida dela e escreve MUITO bem.
Você vai ter sua chance também,não se apresse.

Carol Winchester disse...

Nunca pensei muito em ser escritora. Quando eu era pequena eu rabiscava histórias de terror, sempre me baseando nos livros que eu lia, mas foi só passageiro.
Acho que escrever não é muito a minha praia. oiq
Mas as vezes eu penso em ser colunista de jornal, ou revista, sei lá, alguma coisa onde as pessoas leiam e possam se basear no que eu to escrevendo...
É complicado e quase impossivel, por isso eu prefiro seguir o ramo da informática mesmo, e se eu for escrever, só em blog ou em fic. :B

Marcelle disse...

Eu ainda quero muito ser escritora,mas como é difícil sobreviver como escritor no Brasil eu pretendo ser jornalista.Tbm é uma opção pra vc já que vc diz que só sabe escrever.Eu já comecei muitas histórias(inclusive em blog),mas nunca terminei nenhuma.Talvez seja a preguiça ou a minha insatisfação com as histórias,mas acho que o principal é o medo e como o mundo muda rápido.Quer dizer,eu faço histórias para adolescentes então,se eu demorar muito pra lançar meu livro talvez perca o encanto.Pq os jovens mudam mais a cada dia assim como a música,a TV e tal.E eu sempre coloco bastante músicas nas minhas histórias pq eu amo música até já pensei em ser cantora e sinceramente às vezes ainda quero.Tiha uma época em que eu queria ser:cantora,modelo,bailarina e atriz.Bailarina desisti logo pq não gosto de balé clássico,talvez dançarina de u grupo de axé rsrs.Modelo,eu até já fiz curso e em parte foi por influência da minha família que sempre diz q eu pudia ser modelo por ser alta,bonita,mas não é uma coisa que realmente me interesse.Eu só faria uns trabalhinhos pra ganhar dinheiro e talvez ficar conhecida,tem atriz que é descoberta por ser modelo.Atriz eu sempre achei bem legal,mas nem sei se tenho muito talento,já quis fazer teatro,mas nunca fiz.A música talvez seja a terceira opção mais viável pra mim,pois algum talento eu tenho.Sempre quis tocar guitarra mas a minha professora disse que era melhor eu aprender teclado e piano primeiro.Resultado:tenho um teclado sem uso aqui e nunca aprendi guitarra.Eu queria tocar guitarra pra cantar e hj sou louca por um violão pq é bom pra compor e tudo o mais e eu sei cantar.Eu acho que eu canto bem e outras pessoas também acham,já fiz coral(o maestro disse que eu era muito afinada)e apresentei uma cantata de natal,mas nunca fiz disso algo muito sério.Um dia participei de uma seleção de cantores e não fui aprovada e isso me desanimou.Ah é,e eu já fiz dança de rua.

Paula Baiadori disse...

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Anônimo disse...

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