segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Contagem regressiva!

Hoje, depois de uma enrolação tremenda, peguei meu título de eleitor! Isso quer dizer que eu vou votar pela primeira vez na vida, e eu fico tão feliz de votar por opção. É algo que me empolga sinceramente, como se eu fosse uma criancinha. Eu sempre quis votar desde 2002 quando houve Lula x Serra e imediatamente assumi que eu era Lula. Eu só tinha nove anos, mas o simples gosto de ficar estampando adesivos com LULA 13 na pasta do colégio e discutindo com meus colegas que eram Serra era algo que me animava muito. Eu amava - e ainda amo - todas as piadinhas políticas, tipo Marina planta, Serra serra, sabe? São idiotas, mas me animavam muito.

Volta e meia eu falo que era melhor jogar uma bomba na Câmara de Deputados, Senado, Gabinete, tudo junto. Marcaria uma reunião sobre reajuste de salário, todo mundo aparecera, prenderia todo mundo e baubau. Jogava uma bomba a la EUA ou ainda encarnava Osama Bin Laden e fazia um avião cheio de gente que não coube no local se explodir. A imagem na minha cabeça de os políticos pagando o preço de tamanha corrupção é linda. É bem violento, eu sei, mas quando eu estou com raiva de alguma coisa, eu sempre imagino essa cena. É uma solução drástica, dramática e que faria o mundo inteiro ficar em choque. Ultimamente estou é torcendo que Dilma vença e coloque mesmo a ditadura socialista que a Veja e cia tá com medo. Quem sabe, assim, a Veja sabe o que é uma ditadura de verdade (pra quem chama a ditadura militar de revolução de 64...). Mas é só coisa da minha cabeça. Não que eu realmente vá fazer isso. Ou mesmo pularia de alegria se isso acontecesse.
Mas ímpetos homicidas todo mundo tem e eu não sou exceção!

Não sei em quem vou votar.

Estou tentada a votar em Dilma. Mas não tenho certeza. O fato de eu ter totalmente apoiado Lula aos 9 anos de idade não quer dizer nada: de lá pra cá eu consumi uma quantidade absurda de Veja, assumi certo ódio e decepção com o PT durante quatro anos (embora eu nunca admitisse tal coisa.) e ainda que continuasse defendendo Lula na sua reeleição, eu não estava satisfeita com ele. Não consigo ter essa sensação de apoiar cem por cento uma pessoa ou um partido. Eu concordo, apóio candidatos, mas não estou totalmente satisfeita. O PT ter precisado se aliar com Sarney e Collor é uma coisa que me desagrada absurdamente. Não gosto da idéia de Collor no poder, tinha que ser cassado de vez! Como um cara que confisca a poupança de milhares de brasileiros simplesmente volta ao poder? Como é que as pessoas VOTAM nele? Isso é algo que foge da minha compreensão.

E sabe o que está piorando com tudo isso: o preconceito contra nordestino. Cansei de tentar defender minha região: não, nós não somos os culpados pelo Brasil tá na miséria. Não, não somos sugadores do trabalho do Sudeste e Sul. Não, não votamos todos em Collor: somente o estado de Alagoas e ponto final. O Nordeste tem NOVE estados, porque nos julgam pelo erro de UM estado? É como julgar o Brasil inteiro porque 54% tá preferindo Dilma. Não, não queremos viver na mamata, no bem-bom e não, não é por isso que votamos no PT e seus afiliados. É só porque a direita brasileira é uma merda pra gente. PSDB e DEM ferraram com Nordeste durante anos. Na Bahia, era ACM e sua corja de descendentes imundos que permeia todas as eleições e eu quero mais que morra toda a família de vez. Porque essas pessoas acham que os nordestinos querem votar em partidos que simplesmente ferraram com ela? Porque essas pessoas acham que nós gostamos de sermos vistos como retirantes de sotaque forçado made in Globo? Não somos dessa maneira cheia de caricatura como essas pessoas pensam. Eu me recuso a ser inclusa no povo que chamam de alienado, burro e pobretão - como se só o Nordeste fosse assim. Como se também não houvessem alienados, burros e pobres no Sudeste, Norte, Centro-Oeste e Sul. Não somos tão diferentes do Brasil assim.

E que me permitam uma provocação: eu até assumo a culpa de eleger PT. Mas não somos nós que vamos eleger Tiririca, a piada do ano.



E sabe o que é pior dessas palhaçadas? O Brasil todo que paga o pato, como bem atesta o verdadeiro e sincero post de Amanda sobre como a França enxerga nossos candidatos.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

mentiras políticas

Dilma nunca disse nada contra Jesus.
Dilma negociou com evangélicos prometendo que não vai liberar o aborto / ao passo que há provas que afirmam que ela é a favor da legalização.
Dilma não tem uma amante que lhe pede pensão, e ainda que tivesse, ela ser lésbica não é problema nosso.
Dilma não é proibida de entrar nos Estados Unidos.
A ficha policial de Dilma publicada na internet é falsa.
O vice de Dilma não é satanista.

Não adianta, quanto mais as eleições passam, mais os tucanos ficam desesperados e tentam inventar histórias, espalhar correntes que assumem status de verdade, mas são meras mentiras que são desmentidas até mesmo por blogs sérios aliados ao PSDB. Desespero faz mal e envenena a razão.

Não sou petista.
Não sou tucana.
Não sou do PMDB, PSOL, DEM ou qualquer coisa do tipo.

Eu só gostaria que as pessoas mentissem menos, guardassem as armas e fossem capazes de sentar e discutir polícia como pessoas sensatas. Mas parece que quanto mais perto é a eleição, mais o povo fica eriçado, armando dentes e empunhando facas. Argh.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

gente louca, burra, cega e... spammer.

Ontem fiz um post elogiando o documentário Sicko que esculhamba os planos de saúde, acusando-os de financiadores de assassinatos em prol do lucro.

E eis que recebo o seguinte comentário:

"SEJAM BEM VINDOS A MEGANE CONSULTORIA, aqui começa uma parceria de sucesso, porque nós, temos certeza de que vale a pena investir na proteção daqueles que são à base de tudo.

É por isso que há 10 anos nossa Consultoria compara e oferece as melhores opções em planos de assistência médica e odontológica, tendo como princípio fundamental agilidade, ética e transparência.

A Megane conta com um amplo portifólio de produtos e uma equipe formada por especialistas capacitados para analisar de forma aprofundada, identificando particularidades e necessidades específicas. É dessa forma que oferecemos soluções sob medida e perfeitamente adequadas.

Para maiores informações entre em contato.

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MEGANE CONSULTORIA
Rua Sete de Abril, 277 - 8º Andar
Centro - São Paulo - SP
Tel. / Fax. 3231-4748
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Exatamente. Recebo propaganda de uma consultoria que vai me oferecer o melhor plano de saúde justamente em um post que os critica. Tem gente que não toma simancol.

À essa amável empresa, digo muito respeitosamente: vá tomar no cu.
Tudo o que tenho a dizer.

domingo, 19 de setembro de 2010

Sou mais o SUS

Ontem eu assisti o documentário Sicko, de Michael Moore. Eu não lembrava quase nada dele, mas enfim, resolvi assistir. E a cada dez minutos que passava, eu ficava cada vez mais chocada. Eu sei que o nosso sistema de saúde não é dos melhores, aliás é bem precário e tudo o mais. Mas, tipo, a gente sabe disso. Nós sabemos que hospitais são falhos, que planos de saúde nos roubam, e brasileiro tem em sua natureza desconfiar de tudo e de todos: sistema de saúde, política militar, exército, presidente. Acreditamos piamente que todos vão nos roubar e que podem passar a perna na gente a qualquer momento. Mesmo assim nos chocamos com o documentário que narrava casos como, digamos, um cara teve as pontas de dois dos seus dedos cortadas e teve que escolher entre restituir o dedo médio (por 12 mil dólares) ou o anular (por 60 mil dólares). Ok, você fica com aquela cara de WTF?

Claro, porque acabamos tendo na cabeça que se a gente acaba tendo um dedo cortado, a gente vai pro hospital, consertam e se preocupam com a conta depois. Não, de acordo com o documentário, não é assim. Eles se preocupam primeiro se você pode pagar aquilo. Sua saúde não é prioridade, e sim os lucros que vão ter. Os planos de saúde que cerca de 250 milhões de americanos tem ainda são sacanas. Para você fazer uma cirurgia de qualquer coisa, um exame de qualquer coisa, comprar remédios de qualquer coisa, tudo, absolutamente tudo tem que ser avaliado pelo seu plano de saúde e é grande a porcentagem de recusas que vão te negar uma ressonância magnética, por exemplo. De acordo com a médica lá que esqueci o nome, qualquer gasto que eles façam é chamado de "perda médica". E ela contou que quando ela recusou algo lá que fez com que a empresa economizasse cinquenta mil dólares, ela foi promovida. Provavelmente a pessoa que recebeu a recusa teve seu problema agravado ou ainda morreu. Mas ela foi promovida.
Médicos que estão matando são promovidos.

O documentário fala também do sistema de saúde de Canadá, França e Inglaterra. Essas são as melhores partes do filme: a cara das pessoas quando elas ouvem sobre o sistema dos EUA. A cara do rapaz que teve todos os cinco dedos cortados e tais foram recosturados e ninguém cobrou dele é impagável quando ele ouve sobre o caso do homem que teve que escolher qual dedo pagava para ter de volta. Ele fica com aquela expressão como se alguém falasse que os pássaros dançam rumba na Espanha. Tipo, MUITO estranho. Ou quando Michael Moore resolve interrogar um homem que teve uma queda de bacia e fraturou algo, e a cirurgia iria custar cerca de 25 mil dólares, então o cara (ele era turista) voltou pro país dele ~ Canadá ~ e fez a cirurgia sem pagar um centavo. E Michael Moore conversou sobre ele e ele disse que o sistema de saúde tinha que ser público, universal, etc. Teve uma parte do diálogo que amei:

- Você não pagou nada?
- Não.
[...]
- Porque você acha que os outros devem pagar por um problema seu? [obviamente o sistema é pago pelos impostos]
- Porque os outros fariam a mesma coisa por nós. [que amor!]
- Você é comunista?
- Não.
- Socialista? Anarquista? Você é do Partido Verde.
- Oh, não. Na verdade, sou do Partido Conservador. Algum problema?
- Oh, não, não rs.

Eu confesso que dei aquela risadinha. Mas só ri mesmo quando Michael foi para Inglaterra conhecer uma farmácia onde todos os remédios são vendidos a dez dólares. Ele começa a tirar sarro, perguntando onde estavam vários itens como cadeiras e telefones, algo do tipo, e o farmacêutico todo sério. No final o farmacêutico diz, como um perfeito soldado inglês, que não estudou tantos anos para vender pneu. ok, contando não é engraçado, mas quando você vê, realmente fica engraçado. Sabe o humor britânico? Desse tipo.

Mas a cena mais tocante é quando ele descobre que na prisão do Guantánamo os presos tem atendimento melhor que ao dado para a população americana, em média. O que ele faz?
Pega todo mundo que entrevistou para fazer o filme e chama todo mundo para ir na prisão para receberem atendimento médico. É óbvio que ninguém sequer pergunta a ele quem é. Tudo o que faz é tocar uma sirene e Michael percebe que é hora de dar o fora. E ele acaba indo parar em Cuba. É, porque a prisão fica em Cuba. Nesse momento me pergunto até onde vai a manipulação. Quero muito acreditar que ele realmente foi lá querendo ajudar os doentes que o acompanhavam e tudo o mais, mas... ele realmente levou cerca de vinte pessoas doentes para o meio da Cuba sem planejamento algum? Parece que sim.
E, surprise!

Em Cuba todo mundo é atendido. Exatamente, o país que todo mundo sabe que é o inferno na terra atendeu a todos os americanos recém-chegados, dando remédios, fazendo exames, tratamento de qualidade. É de partir o coração quando a moça vai comprar um remédio em Cuba e descobre que aquele remédio custa apenas cinco centavos - nos EUA, ela tinha que pagar 120 dólares. Assim como você se emociona quando vê todo o Corpo de Bombeiros homenageando as três pessoas que ajudaram a resgatar vítimas no 11 de Setembro: sim, o governo americano ignorou essas pessoas, mas não o Corpo de Bombeiros cubano que se posicionou perante elees e declararam louvor e admiração à atitude deles. Sim, os heróis americanos foram mais bem tratados em Cuba do que na própria pátria. Eu fiquei pensando bastante no nosso sistema de saúde.

Eu não tenho plano de saúde. Quando eu era criança e a vida financeira de meus pais eram flores e ouros, eu tinha. Por conta da minha deficiência auditiva, eu tive um plano que me deu tudo o que eu precisava. Mas era pequena, eu nem lembro direito de como era. Só sei que tenho um monte de exames. Diz minha irmã que foi como se me virassem do avesso para descobrir tudo ao meu respeito, rs. Atualmente não tenho plano de saúde, como já disse, e quer saber? Não sinto falta. Eu sei que posso usar o SUS a qualquer hora. Não tenho medo de ir para o hospital, mesmo que minha mãe que é técnica de enfermagem veja casos de corrupção e descaso flagrantes. Não tenho medo de depender da saúde pública: já dependi e não morri, nem fui maltratada. Só que sou uma exceção, eu acho. De qualquer modo, acho que se eu chegar no hospital com a perna cortada, os médicos vão é costurar a perna e deixarem a conta pra depois.

Ou será que não?



Clique na imagem ou aqui para baixar o filme legendado.
Não conferi o link, não sei se está funcionando (: