domingo, 19 de setembro de 2010

Sou mais o SUS

Ontem eu assisti o documentário Sicko, de Michael Moore. Eu não lembrava quase nada dele, mas enfim, resolvi assistir. E a cada dez minutos que passava, eu ficava cada vez mais chocada. Eu sei que o nosso sistema de saúde não é dos melhores, aliás é bem precário e tudo o mais. Mas, tipo, a gente sabe disso. Nós sabemos que hospitais são falhos, que planos de saúde nos roubam, e brasileiro tem em sua natureza desconfiar de tudo e de todos: sistema de saúde, política militar, exército, presidente. Acreditamos piamente que todos vão nos roubar e que podem passar a perna na gente a qualquer momento. Mesmo assim nos chocamos com o documentário que narrava casos como, digamos, um cara teve as pontas de dois dos seus dedos cortadas e teve que escolher entre restituir o dedo médio (por 12 mil dólares) ou o anular (por 60 mil dólares). Ok, você fica com aquela cara de WTF?

Claro, porque acabamos tendo na cabeça que se a gente acaba tendo um dedo cortado, a gente vai pro hospital, consertam e se preocupam com a conta depois. Não, de acordo com o documentário, não é assim. Eles se preocupam primeiro se você pode pagar aquilo. Sua saúde não é prioridade, e sim os lucros que vão ter. Os planos de saúde que cerca de 250 milhões de americanos tem ainda são sacanas. Para você fazer uma cirurgia de qualquer coisa, um exame de qualquer coisa, comprar remédios de qualquer coisa, tudo, absolutamente tudo tem que ser avaliado pelo seu plano de saúde e é grande a porcentagem de recusas que vão te negar uma ressonância magnética, por exemplo. De acordo com a médica lá que esqueci o nome, qualquer gasto que eles façam é chamado de "perda médica". E ela contou que quando ela recusou algo lá que fez com que a empresa economizasse cinquenta mil dólares, ela foi promovida. Provavelmente a pessoa que recebeu a recusa teve seu problema agravado ou ainda morreu. Mas ela foi promovida.
Médicos que estão matando são promovidos.

O documentário fala também do sistema de saúde de Canadá, França e Inglaterra. Essas são as melhores partes do filme: a cara das pessoas quando elas ouvem sobre o sistema dos EUA. A cara do rapaz que teve todos os cinco dedos cortados e tais foram recosturados e ninguém cobrou dele é impagável quando ele ouve sobre o caso do homem que teve que escolher qual dedo pagava para ter de volta. Ele fica com aquela expressão como se alguém falasse que os pássaros dançam rumba na Espanha. Tipo, MUITO estranho. Ou quando Michael Moore resolve interrogar um homem que teve uma queda de bacia e fraturou algo, e a cirurgia iria custar cerca de 25 mil dólares, então o cara (ele era turista) voltou pro país dele ~ Canadá ~ e fez a cirurgia sem pagar um centavo. E Michael Moore conversou sobre ele e ele disse que o sistema de saúde tinha que ser público, universal, etc. Teve uma parte do diálogo que amei:

- Você não pagou nada?
- Não.
[...]
- Porque você acha que os outros devem pagar por um problema seu? [obviamente o sistema é pago pelos impostos]
- Porque os outros fariam a mesma coisa por nós. [que amor!]
- Você é comunista?
- Não.
- Socialista? Anarquista? Você é do Partido Verde.
- Oh, não. Na verdade, sou do Partido Conservador. Algum problema?
- Oh, não, não rs.

Eu confesso que dei aquela risadinha. Mas só ri mesmo quando Michael foi para Inglaterra conhecer uma farmácia onde todos os remédios são vendidos a dez dólares. Ele começa a tirar sarro, perguntando onde estavam vários itens como cadeiras e telefones, algo do tipo, e o farmacêutico todo sério. No final o farmacêutico diz, como um perfeito soldado inglês, que não estudou tantos anos para vender pneu. ok, contando não é engraçado, mas quando você vê, realmente fica engraçado. Sabe o humor britânico? Desse tipo.

Mas a cena mais tocante é quando ele descobre que na prisão do Guantánamo os presos tem atendimento melhor que ao dado para a população americana, em média. O que ele faz?
Pega todo mundo que entrevistou para fazer o filme e chama todo mundo para ir na prisão para receberem atendimento médico. É óbvio que ninguém sequer pergunta a ele quem é. Tudo o que faz é tocar uma sirene e Michael percebe que é hora de dar o fora. E ele acaba indo parar em Cuba. É, porque a prisão fica em Cuba. Nesse momento me pergunto até onde vai a manipulação. Quero muito acreditar que ele realmente foi lá querendo ajudar os doentes que o acompanhavam e tudo o mais, mas... ele realmente levou cerca de vinte pessoas doentes para o meio da Cuba sem planejamento algum? Parece que sim.
E, surprise!

Em Cuba todo mundo é atendido. Exatamente, o país que todo mundo sabe que é o inferno na terra atendeu a todos os americanos recém-chegados, dando remédios, fazendo exames, tratamento de qualidade. É de partir o coração quando a moça vai comprar um remédio em Cuba e descobre que aquele remédio custa apenas cinco centavos - nos EUA, ela tinha que pagar 120 dólares. Assim como você se emociona quando vê todo o Corpo de Bombeiros homenageando as três pessoas que ajudaram a resgatar vítimas no 11 de Setembro: sim, o governo americano ignorou essas pessoas, mas não o Corpo de Bombeiros cubano que se posicionou perante elees e declararam louvor e admiração à atitude deles. Sim, os heróis americanos foram mais bem tratados em Cuba do que na própria pátria. Eu fiquei pensando bastante no nosso sistema de saúde.

Eu não tenho plano de saúde. Quando eu era criança e a vida financeira de meus pais eram flores e ouros, eu tinha. Por conta da minha deficiência auditiva, eu tive um plano que me deu tudo o que eu precisava. Mas era pequena, eu nem lembro direito de como era. Só sei que tenho um monte de exames. Diz minha irmã que foi como se me virassem do avesso para descobrir tudo ao meu respeito, rs. Atualmente não tenho plano de saúde, como já disse, e quer saber? Não sinto falta. Eu sei que posso usar o SUS a qualquer hora. Não tenho medo de ir para o hospital, mesmo que minha mãe que é técnica de enfermagem veja casos de corrupção e descaso flagrantes. Não tenho medo de depender da saúde pública: já dependi e não morri, nem fui maltratada. Só que sou uma exceção, eu acho. De qualquer modo, acho que se eu chegar no hospital com a perna cortada, os médicos vão é costurar a perna e deixarem a conta pra depois.

Ou será que não?



Clique na imagem ou aqui para baixar o filme legendado.
Não conferi o link, não sei se está funcionando (:

2 comentários:

Megane Consultoria disse...

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Aline J. Romy disse...

Adoro esse documentário, me emocionei em varias partes. E fiquei revoltada com algumas, principalmente a parte da prisão.
Os documentários do Moore são muito bons. Eu te indico a pesquisar sobre o documentário: The Cove, que fala sobre matança de golfinhos no japão e o Food Inc. que fala sobre comida. Os dois são perfeitos!
Beijos ;*