quinta-feira, 26 de novembro de 2009

vivendo a vida vendo a TV.

Eu disse lá no canto que adoro fazer análises pseudo-literárias a respeito de novelas das oito globais. Então lá vamos nós com a fantástica, divina, maravilhosa, esplêndida... Viver a Vida -nnn.
Vou logo adiantando que acho o nome bizarro: 'Viver a Vida' significa que uma pessoa que 'viva' a vida não vá assistir uma novela com esse título, e sim viver a vida propriamente dita, mas quem sou eu para falar de nomes? O máximo de criatividade para títulos que possuo é simplesmente batizar as histórias com os nomes dos personagens, até que alguém sugere algo melhor.

Não vou dizer que eu assisto a novela frequentemente, porque ela está passando mais cedo aqui na Bahia e fico com preguiça demais de sair do meu adorado computador (onde tem Orkut, MSN, blogs e etc) para ir até o quarto da minha mãe, onde a TV tem legenda closed caption (da qual dependo, porque sou deficiente auditiva e um das minhas - poucas - limitações é o áudio eletrônico, ou seja, TV). Então acabo vendo quando minha mãe está com paciência (de vez em quando), ou quando alguém está usando o computador (poucas vezes), e estou com preguiça demais de ir estudar (sempre). Mas assisto, sim, alguns capítulos e sei dizer a trama de cada um, e os nomes são acessados com uma facilidade tremenda no site oficial da novela da Globo (você sabe, é só colocar www.globo.com.br/NOME-DO-PROGRAMA-AQUI. No caso, 'viveravida').



Aquele núcleo com Lilia Cabral e José Mayer


Adoro Lilia Cabral, ela é uma das minhas atrizes favoritas. E não vou dizer que ela está me decepcionando, porque não está: está indo bem no papel da mãe chatinha, riquinha e etcétera das três filhas que ela tem, a ex-esposa condenada ao ostracismo do mundo da moda. O meu probleminha com ela é justamente a coisa idiota de ela ficar presa no rótulo de 'ex-esposa'. Cara, todos nós temos ex-alguma-coisa: ex-namorados, ex-amigos, ex-inimigos, ex-chefes, enfim, uma série de pessoas que fizeram parte da nossa vida de um determinado jeito e já não é mais assim, passou. O problema é encarar a vida da forma 'ex': e Tereza (o site da novela é tão útil!) insiste, empezinha, parece que adora se intitular "A EX-ESPOSA". Ok, ela era casada com aquele cara lá (preguiça de olhar no site), mas acabou, foi-se o casamento! Porque insistir em falar o quanto era bom, o quanto era maravilhoso, e o quanto é horrível ser divorciada? Tereza é o tipo de pessoa que eu não me aproximaria: rancor demais afasta, e eu não sei dar flores de bondade a alguém.

Outro ser que me irrita é o personagem de José Mayer, o Marcos (é, eu olhei no site. É só clicar em 'personagens', tem a foto dele imensa lá, ao lado de Taís Araújo), um machista e marido irritante. Além de ser um chato, acha que a Helena (Taís Araújo) é a sua propriedade. Ele e Tereza bem que se merecem, os dois que não achaaaam, mas que concordam que Helena foi 50% culpada pelo tetraplegismo de Luciana (odeio rir de tragédia, mas eu posso? AHAHAHAHAH, BEM FEITO, LUCIANA! tá, parei) como se a Helena fosse uma bola de cristal que iria prever que o motorista ia ser um azarado distraído e ferrar com a vida de Luciana. Ok, Helena teve culpa em não se responsabilizar por Luciana na volta por causa da promessa, etc, etc, etc. Mas todo mundo erra, Helena quis dar uma de mãe com "não vai voltar no carro" e o azar sorriu. Não é motivo para fazer de Helena a mártir arrependida que deve se ajoelhar diante da sinhazinha e receber uma bofetada, como aconteceu. Muito menos pra chegar em casa com a notícia da gravidez e receber um "se tirou um, pode tirar outro" como aconteceu. Helena, diante desse cara que está pouco se lixando, eu fazia as malas e ia pra casa da minha mãe ter o bebê. Putz!



A pior é a mãe dos gêmeos


Natália do Vale interpreta a Ingrid, a mãe dos dois irmãos gêmeos que são o oposto: um é sério, conservador e o outro todo descontraído, alegre, pra cima. Ela tem um estúdio onde mulheres já maduras posam de forma mais sensual (essa informação peguei do site, eu nem sabia!), o que pode parecer uma postura muito desinibido e feliz de levar a vida, como se oferecesse a sensualidade a mulheres com mais de cinquenta anos (que por algum motivo bizarro, a sociedade passa a atribuir um rótulo: 'assexuado'). Porém é tão machista quanto o filho conservador, talvez até pior - sempre achei mulheres machistas piores do que os homens. Porque os homens ainda podem ter a desculpa esfarrapada de não sentirem o machismo na pele, e as mulheres não. E a Ingrid é puro machismo.

Para começar, quando o filho-conservador-dela quis fazer alguma coisa em Canadá por causa da profissão dele, ele queria que a namorada dele (a Luciana, a modelo impulsiva que ficou sem se mexer, saca?) largassa a profissão de modelo pra se casar com ele, o que foi um pedido muito fdp, considerando que a Luciana é APAIXONADA pela profissão, e não se cansa de falar isso. E quando a mãe dela (de Luciana), muito gentilmente, pergunta a ele como seria se ela tivesse que ficar em algum lugar, e pedisse a ele pra largar a profissão, ele respondeu que "era diferente, porque ele era homem" e mais um monte de asneiras machistas. E a mãe dele, a chamada Ingrid, concorda com tudo isso. Quando ele (o namorado) decide retroceder na decisão, de não pedir mais pra Luciana pra largar a profissão, porque -poxa- ela a ama e vice-versa, e não é justo, a mãe discorda, diz que ela deveria largar a profissãozinha de modelo pra segui-lo como uma cordeira.

E seu golpe de misericórdia foi ontem, quando ela diz ao filho que deveria largar a namorada, porque ela está tetraplégica, então não serve mais como namorada. Quando seu filho diz algo como: - mas não vou abandonar Luciana!, ela argumenta com um - você não vai abandonar Luciana, porque nem casados são!
Algo realmente ridículo de ser feito. Eu até entendo a postura da mãe: acho que mãe nenhuma quer que seu filho fique com uma pessoa que mal pode se mexer, afinal teme que o filho fique preso a essa pessoa em hospitais e coisas do gênero. Mas como assim, só se dá pra abandonar uma pessoa se é casada com ela? Eles são noivos, quase se casaram! Ela não pensa no impacto sobre a nora que surgiria desse afastamento do namorado? De como ela perderia o chão que mal pode tocar? Abandona-se uma pessoa a partir do momento que não se dá apoio a ela no momento em que precisa, e isso amigos, familiares e namorados fazem.

P.S.: se bem que ouvi falar que não adiantaria nada, porque Luciana largaria do namorado e se envolveria era com o outro gêmeo, que tem namorada e essa bem sabe que perderá o namorado pra Luciana, e já está até conformada com isso. Novela estranha...



urgh


E vou logo deixar meu registro aqui: uma vez minha mãe me contou que viu Manoel Carlos falar na televisão que retrata pessoas do jeito que somos, e que só fala da beleza, porque as pessoas gostam de ver beleza, não de feiúra. Então um adendo:

O que a novela das oito menos mostra é a realidade. Em especial as novelas de Manoel Carlos. Ok, de fato, anorexia a base de álcool existe, assim como aborto, mundo da moda, machismo, amor bandido, tetraplegismo, etc. Porém as novelas dele são cor-de-rosa: não há pessoas pobres, não há tristeza que dure muito, há sempre uma trilha sonora boazinha típica de MPB, e a paisagem é linda e maravilhosa: as praias do Rio de Janeiro, quando não tem sujeira, arrastões e nada do tipo. Como se o Brasil inteiro fosse representado por aquilo. Recentemente fiz um trabalho sobre racismo, e descobri um dado curioso (na verdade foi a minha colega Glaucia, palmas pra ela): os negros representam somente 10% de toda a mídia. E isso se reflete na novela das oito, como se fosse um núcleo negro.

Cansei de ler o quanto Taís Araújo significaria para a luta contra o racismo, porque era a primeira protagonista negra de uma novela das oito, porque seria a mais nova Helena de Manoel Carlos e o escambau. O que eu digo: que está sendo uma palhaçada. Helena está sendo retratada como uma madona arrependida, porque tem que se arrepender da culpa de não ter deixado Luciana ir no carro, do aborto que ela fez há séculos passados, de ter que se submeter a uma ex-esposa chata e um marido insuportável. Ok que a cena dela dentro da casa da antiga esposa se vestindo de noiva foi como uma prepotência, mas ainda assim: Tereza é muito mais arrogante do que Helena, e nada, nada justifica aquela cena ridícula do ajoelhe-pra-apanhar. E discordo da revista Veja quando ela diz que a novela não é racista, porque tem negros no papel de protagonistas: isso me parece aquele sistema ridículo de cotas, como se eles fossem obrigados a fazer isso - a incluir negros.

Espero, sinceramente, que haja uma reviravolta porque Helena está sendo tratada de forma ridícula nessa novela. Veremos se está sendo diferente só com elas, ou então é só aquela trajetória de 'a-mocinha-apanha-chora-apanha-chora-e-é-feliz'. E no mais, alguém mais acha estranho e surreal quando os personagens são tããão cultos, tipo escutam MPB e lêem livros bem intelectuais? Eu me sinto uma inculta, ignorante no meio desse pessoal e olha que o povo tem mania de me achar inteligente só porque escrevo demais.



P.S.: o cabelo de Taís Araújo está lindo. Mas o cabelo da mãe da personagem é mais lindo ainda. Ô inveja!

P.S.: eu não recomendo aquela linha da Colorama, a Única Camada. Minha irmã comprou uma cor, a Penelope, e passei ontem. Uma lindeza, única camada meeesmo e fica bonito. Hoje, de manhã, estava tudo descascando. Ai, ai, é a vida. Tirei e pus Uva, da Risqué. Lindo, lindo e olha que detesto esmaltes muito, muito, muito escuros (odeio extremos).

3 comentários:

nini disse...

Luna, adorei suas observaçoes.
Eu nao vejo novelas, mas conheço a Globo e seus novelistas e achei as observaçoes bem pertinentes.

bjocas

Franci disse...

Adorei,a novela realmente tá um lixo,e Helena tá parecendo protagonista de novela mexicana que faz drama e sofre por nada.E a novela passa muito longe da realidade.Bjs *-*

♥♥oliveir@♥♥ disse...

Bom, ñ estou aqui para julgar nada
Minha vida era linda com minha mulher perfeita só que infezlimente um tragico acidente aconteceu à deixando tetraplegica
estavamos saindo de uma festa quando ela decidiu,q iria na frente ,
e eu no carro do MANOEL irmâo dela,
Assim fomos quando chegamos na Barra vimos aquele carro virado é um movimento em volta minha mulher jogada no châo, minha vida acabara alí...
Hj vivo traindo ela eu me sinto um lixo por isso.
na novela acho que falta mais realismo, acompahei de perto o caso da minha mulher é o tetraplegico demora para se conformar com sua nova realidade,,,
è tritissimo de ver.
Chega nâo quero mais lembrar...