quarta-feira, 14 de março de 2012

todo meu amor por dexter em uma pseudo tese

algumas séries são vícios e sinto necessidade de analisá-las. essa é minha vida, esse é meu clube.

Estou na metade da quinta temporada de Dexter, mas sinto profunda necessidade de discorrer sobre ela e ver se entendo o motivo de eu amar tanto essa série. Hoje, finalmente, sento na cadeira, abro bloco de notas e começo a enumerar os motivos de eu amar essa série.

Lembrando: estou na metade da quinta temporada. Sem vontade de parar. Sem vontade de que a série acabe.



Sinopse de Dexter pra quem não lembra/não sabe/não faz idéia se é de comer: Dexter Morgan é adorado pela irmã, amado pela namorada e querido pelos colegas. Perito de sangue na Polícia de Miami, ele realmente é o cara legal. Negócio é que enquanto pessoas vêem TV em seu tempo livre, Dexter sai por aí caçando assassinos e matando-os cruelmente, se servindo de muita técnica e arte, sendo um perfeito psicopata entre pessoas normais e sãs. Com o lindo detalhe de que ele foi treinado desde criança a agir assim, pelo pai policial e respeitado, assim que o pai sacou que o menino não era exatamente normal.

Aviso: spoilers até metade da quinta temporada. Não conto quem morre ou não, só coisas leves. Se você for chata que nem eu, não leia, se não tiver visto.

Dexter tem personagens femininas fortes.

Quem me conhece sabe como faço questão de uma representação do meu gênero que não seja estúpida. Descarto qualquer série cujas mulheres só saibam falar de compras - homens - filhos - casa - compras - homens - ciclo infinito. Temos aqui, então, três personagens fortes: Debra, Rita e LaGuerta. Debra é a irmã de Dexter, e trabalha na Polícia. Ela, inicialmente, se disfarça entre as prostitutas e vai crescendo ao longo da série. Rita é a namorada de Dexter, mãe de uma garota, Astor, e um garoto, Cody. Ela é amável e pacífica, e se dá muito bem com Dexter por coisas simples: ele dá à ela o que ela precisa como carinho, atenção, paz. E ela dá à ele normalidade. Ela teve um ex-marido violento e agressivo, e por conta dos estupros, ela se tornou traumatizada com sexo. Como Dexter nunca viu interesse em sexo e ele não faz questão disso, então Rita o considera um cara compreensivo e gentil. Já LaGuerta é a chefe dos policiais no Departamento de Homícidios. Ela encarna mais a vibe competição que não curto, especialmente com Debra, mas aos poucos você vai entendendo que ela simplesmente só fica querendo salvar a própria pele. Se ela erra em algo, ela nunca assume a culpa. Sabe liderar muito bem, e sabe se impor como líder. E sabe total lidar com a imprensa - às vezes não da forma mais adequada.



Analisando superficialmente as três personagens femininas que mais aparecem, notamos que nenhuma delas é representada de forma superficial ou fútil. Debra não atende ao estereótipo de menininha nem de longe, com seus quilos de palavrões por minuto. Ela sempre corta as piadas escrotas de Masuka. E ela é excelente no que faz, porque é determinada e focada. Considero Debra uma personagem bem profunda, com um enorme senso de família. Mesmo que ela guarde mágoa porque pai nunca a tratou tão preferencialmente como tratava Dexter, ela ama o pai e vê nele exemplo de vida, de carreira, de tudo. Ela ama a mãe que morreu anos atrás. E ela ama Dexter, defende ele com unhas e garras. Além disso, Debra tem um sistema de moral e ética muito próprio. Não curte a vibe de ferrar os outros por nada, e não suporta mentirinhas, intriguinhas, artimanhazinhas. Lidar com ela é relativamente fácil: seja claro, a respeite e a trate como gente. E não seja cuzão, nas palavras dela.



Por isso ela não se dá muito bem com LaGuerta que é cheia de artimanhazinhas. Não que LaGuerta seja ruim. Não é. LaGuerta tem muitos ótimos momentos nos quais é totalmente justa e ética. Na terceira temporada, ela ficou totalmente dividida porque ficou amiga de uma advogada que odiava total o outro melhor amigo dela, um promotor, e era richa de anos os dois. E um dizia coisas horríveis dos outros, capazes de levar o outro pro tribunal e passar dias discorrendo. Quando um exagerava, LaGuerta ia lá e puxava a orelha. Ela olhava a situação de fora e tentava realmente ser justa e ponderada. É também talentosa para lidar com a imprensa. Gosta de brilho e holofote, então quase sempre ela que dá as declarações para a mídia e tudo o mais. O probleminha dela é, na realidade, um grande problema: toda a ética dela vai para o inferno se acaba afetando à ela. Se ela está envolvida na merda, ela sai da reta e foda-se quem estiver no caminho. Ela pode até se sentir mal e tudo o mais, mas ela não hesita em tomar atitudes que acredita ser o melhor para todos, mas na verdade, é só o melhor para ela. Então entra em confronto com Debra que não é nessa linha.

E quem se fode é Debra, porque LaGuerta tá tipo n posições hierárquicas acima.



Então temos Rita, fora desse circuito policial e tudo o mais. Trabalha como recepcionista de um hotel e sabe o que é ser fodida pela vida, tendo um ex-marido que fez com que ela se habituasse com um cotidiano turbulento. A sua filha mais velha deve ter uns dez anos e presenciou essa violência, já o garotinho nem tanto. Tudo o que ela quer é uma vida normal. Casa no subúrbio, crianças felizes, ir à praia de vez em quando. Sinceramente, acho ela tão café-com-leite que nem sei se tem gente que não gosta da mulher. Porque ela é assim, toda amorzinho, pacífica, cheia de instinto maternal pronta pra acolher todo mundo. Ela definitivamente é um paradigma que Dexter usa para se orientar sobre como agir normalmente. Porque Dexter é psicopata. Dexter não sabe o que é sentir. Dexter está com Rita por conveniência, mas Rita não sabe disso. Rita acha que Dexter a ama sinceramente, e ama Dexter também. E aos poucos a série vai trabalhando nisso, de como essa conveniência virou algo maior que isso. E Rita vai assumindo diversas nuances. Ela é extremamente madura em várias passagens, e compreensiva em várias outras. E notamos como ela luta todos os dias para superar os traumas passados e de como ela, sinceramente, busca uma vida normal. Na segunda temporada, ela encana que Dexter tá viciado em drogas (e Dexter nem nega, porque senão teria que falar que mata pessoas por hobby. Muito melhor que cocaína, querida!) e ela busca entender isso. Ela ajuda o cara em tudo.

Ele chega tarde em casa, ele não diz onde está, ele está fatiando sua vítima quando ela liga pra ele. E ela perdoa. Ela diz sempre o quão bom ele é, e Dexter sabe que não é. Mas ele é - para ela e as crianças, ele é aquele marido ausente, mas gentil, aquele paizão que tenta ser legal. Aquele cara legal.

E retornamos à questão feminina no próximo tópico:

Dexter não é feminista, verdade. Mas tem um viés lembrando lados marginalizados da sociedade, em geral.

Lamento só a série não falar de gays, não ter representação de gay, bi, trans, nada. Em relação à sexualidade, é bem nula mesmo. Mas quanto à mulheres e latinos, a série aborda até dizer chega. Não é aberto, por assim dizer, porque não é uma série sobre mulheres ou sobre latinos, mas sobre um sociopata serial killer que mata assassinos. Mas volta e meia tem um caso policial e já se nota o procedimento padrão.

Na quinta temporada, Quinn (personagem que entra depois) diz à LaGuerta que tinham que ter investigado o marido em um caso lá. Porque ambos sabiam e essa era a regra adotada pelos policiais: se a mulher aparece morta, em 90% das vezes, o assassino foi o companheiro. É padrão desde a primeira temporada e todos sabem disso. Debra sabe disso. Masuka sabe disso. Angel sabe disso. Nós, mulheres, sabemos disso. Eu mesma mencionei uns poucos casos no post passado. Violência contra a mulher é enorme e comum e em todos os campos, e mais ainda: pelo próprio namorado/marido. A série não trabalha aprofundamente nessa questão de como a violência contra a mulher é um sintoma da sociedade toda, assim como não trabalha diversas outras questões sociais. Mas levanta aquela questão: mulher é uma vítima frequente. Outra recorrência em relação à violência contra a mulher é o fato de que boa parte dos assassinos que Dexter mata tem como vítimas mulheres. Dexter sublinha bem quando está matando. Ele diz claramente para as vítimas que elas estão ali, embaladas em plástico e prontas pra morrerem, porque mataram mulheres.

Como diz Lisbeth Salander em Os Homens Que Não Amavam as Mulheres, são caras que odeiam mulheres.


Julie Stiles fazendo Lumen.

Essa questão da violência é reforçada na quinta temporada, que estou vendo agora, com a questão do estupro que é tratada de forma artificial. Dexter encontra uma garota que está completamente traumatizada: foi torturada e estuprada por diversos caras. Ele, que acabou de passar por algo tenso, meio que acaba se unindo à ela procurando uma forma de superar aquilo. Eu não estou muito certa, já que estou na metade da temporada, mas Dexter consegue sentir um mínimo que seja do que é o horror do estupro ao conhecer a garota. Inclusive, no começo da série, ele só abrangia assassinos dentro do seu código de conduta como serial killer. Na quinta, ele já está mais disposto a acolher estupradores em sua mesa também.

A outra questão que Dexter fala sempre, mais do que a violência contra a mulher, é a de latinos. Todo mundo que já viu a novelinha da Globo com Debora Secco chorando pitangas sabe que Miami tem mais latino do que qualquer outro povo. Metade de Dexter só não é em espanhol porque tem os pensamentos em off de Dexter. Mas temos LaGuerta e Angel como policiais da Cuba e representantes da América Latina dentro da polícia. Porém nos diversos casos que acompanhamos ao decorrer da série, temos as vítimas, os suspeitos, as testemunhas e percebemos - de forma superficial - o quão grande e unida a comunidade latina é. Em um caso, temos um bairro venezuelano. Em outro, temos uma vítima e um assassino de Nicarágua. E por aí vai, todos de países diferentes. Uma das "presas" de Dexter é um cara que engana cubanos na imigração e os mata se não conseguem pagar as dívidas. É uma questão sempre tensa de abordar, porque nenhum país gosta de falar dos imigrantes ilegais. É um povo marginalizado que acreditava no sonho americano e chega e percebe que não é bem assim. E cresce a criminalidade, a tensão, o preconceito.

E a segregação é evidente.

Sem contar que os imigrantes ilegais se tornam presas fáceis nas mãos de policiais porque se não se entregarem ou não contarem alguma coisa, é fácil chamar seja lá que órgão e deportar, o que faz com que a comunidade de latinos - em geral - tenha uma relação conflituosa com a polícia. Porque se entregar aquele traficante que é camarada e todos conhecem, morre dia seguinte. Se não entregar, é deportado e volta pro país de origem. Nessas horas, sempre entra a LaGuerta com seu talento em socializar com pessoas ou Angel com seu olhar bondoso, falando em espanhol e fala mansa. Porque mandar Debra interrogar, por exemplo, ia dar errado. Debra é branca, americana, viveu sonho americano de boa. Ela não entende realmente o que os latinos passam. Ela sabe, mas não entende. Ela sequer fala espanhol - e isso a atrapalha, porque sempre que ela precisa interrogar famílias em bairros latinos, ela tem que trazer alguém que saiba espanhol junto. No meu ponto de vista, acho que se Miami tem tanto latino, todo mundo tinha que saber espanhol. Ainda mais policial que vive diariamente às voltas com problemas da marginalização. Que tem que dar batida pra prender traficante, prender marido que matou a mulher com um tiro. Custava nada Debra fazer um cursinho e não ter dito Santa Mierda em vez de Santa Muerta, sendo motivo de riso.



Dexter, mesmo sem sentimentos e sendo serial killer, é mais útil pra humanidade do que muita gente.

Sempre fui uma pessoa que nunca conseguiu ter real noção do que é certo e errado em relação ao assassinato. Sempre achei errado matar alguém, mas era aquela coisa: se o assassinado é um marido que espancava sua esposa... se o assassinado é uma pessoa doentia que matava criancinha. Aquela coisa do "se", mas mesmo assim, eu sou mais dessa linha: não é certo. Não acho que alguém tenha o direito de tomar a justiça nas próprias mãos, porque isso cria um precedente perigoso e vira aquela coisa da lei da selva. Mas não sou eu que vou levantar a voz pra culpar a esposa que matou o marido que a espancava, muito menos a lamentar a morte do cara.

Digamos que não sou da linha de "tem gente que merece morrer", e sim mais "tem gente que não merece viver".
Parece que não tem diferença, mas tem.

E a série é toda sobre isso. Sobre como Dexter é bom namorado, afora as ausências estranhas. Sobre como ele é um ótimo irmão, como ele sempre está lá pra ajudar Debra, como ele é excelente perito e ajuda os policiais a investigarem os crimes com extrema precisão. Dexter é um cara que paga seus impostos e não faz mal à sociedade (o meio ambiente que é outra história, considerando a quantidade de plástico que ele gasta a cada crime). Mas ele é serial killer. Ok, ele só mata assassinos. Mas e daí? O nosso código de ética não devia estar gritando para lembrar que nem mesmo Dexter Morgan, do alto de seu carisma, tem direito de matar um assassino, pois assim ele se torna um assassino? Mas, então, porque torcemos por ele? Porque passamos a acompanhar a série com medo de que ele seja descoberto?

Porque torcemos até mesmo para que ele consiga mudar o rumo das investigações na polícia para que o assassino esteja na sua mesa, e não atrás das celas, como manda a justiça?

Bem, eu sempre tive essa idéia de que as pessoas, em geral, não são boas. De que se um Kira (do mangá/anime Death Note) aparecesse, todo mundo ia era amar a idéia e seguir bonitinho. Ainda mais no Brasil que os conceitos de justiça, verdade e ética estão tão distorcidos que pessoas querem cortar cabeça de todo mundo, mas ninguém tem coragem de começar qualquer coisa assim. Mas se começarem, duvido muito que nosso povo ia reagir contra. Aquela atitude bem "não sou a favor, mas também não vou ali tirar a faca de sua mão". Bem eu se você resolver matar um estuprador na minha frente. Acho que é assim que a gente age em relação à Dexter. Não somos a favor. Não achamos certo que ele faça o que faz - sequestrar as vítimas, prendê-las numa mesa, matá-las, esquartejá-las e jogar seus corpos no mar.

Mas ninguém vai lá tirar as armas de Dexter. Dexter é visto meio como o mal que galera precisa, porque alguém "precisa tirar esse lixo da sociedade", nas definições do próprio Dexter. Ele sabe disso. Ele sabe muito bem que o que ele faz é crime e que é considerado errado do ponto de vista moral, ético e tudo o mais. Ele se considera um monstro em face de ser humano e não se aproxima verdadeiramente de ninguém, porque sabe que ninguém aguenta viver com essa verdade, com esse lobo em pele de cordeiro. Mas ele sabe muito bem que mesmo que todo mundo se horrorize com a engenhosidade e a frieza dos assassinatos, lá no íntimo, ninguém vai ser contra.

Se ele, um dia, for ao tribunal, é capaz do júri inteiro votar a favor dele. Porque galera tem essa noção na cabeça: de que tem gente que precisa morrer. Negócio é que ninguém quer sujar as mãos com isso.
E eu dou um gole do meu toddynho se (caso seja descoberto etc etc etc e depois morrer) ele não for considerado herói americano da pátria e sua casa virar ponto de peregrinação pra uma galerinha muito louca que resolver fazer justiça com as próprias mãos.



Dexter não tem sentimentos. Mas nós sentimos o suficiente por ele e por nós ♥

Os sentimentos de Dexter são todos construídos. Como o pai dele passou vida toda instruindo o cara a ser gente, ele tem mais ou menos uma noção de como agir. Ele sabe que levar donuts pra todos no trabalho é uma atitude vista como amigável. Ele não invade o espaço dos colegas de trabalho, nem da irmã, nem de Rita e ninguém invade o dele. Ele pode não ser muito expansivo ou emocional, mas isso é visto somente como uma atitude mais reservada. Algo da personalidade, e não como o que realmente é: Dexter é incapaz de sentir emoções. Mas ninguém percebe isso.

Só que, por viver tanto tempo aprendendo a ser normal, Dexter aprendeu a simular emoções. Ele tem o que os especialistas chamam de proto-emoções que seriam mais respostas primitivas: sexo, frustração, etc. O que realmente diferencia são as nuances: compaixão, amor, medo. E Dexter aprendeu a simular isso. Conseguiu cultivar uma afeição com a irmã e com a Rita, estabelecendo laços duradouros que ele acaba descobrindo, ao longo da série, que são vitais para que ele mantenha a normalidade. Ainda mais: de vez em quando, ele se questiona se é possível não ter mais esse impulso que o impele a matar. Se ele, um dia, será normal. Já notamos, então, que há alguma coisa em Dexter que ainda é humano, que o permite manter tais laços e conseguir simular algumas emoções, aprimorando seu disfarce - e às vezes até mesmo se enganando.

E é legal quando ele consegue cultivar algo assim. Mesmo que seja incompleto, mesmo que seja mais primitivo do que qualquer outra coisa, é legal ver Dexter se esforçando pra manter uma boa relação com as pessoas ao redor, mesmo que seja por conveniência, mais por si do que por outros. É legal quando ele atende à ligações de Debra no meio da noite, tendo uma vítima ainda acordada prestes a morrer, e ele resolve que vai apressar o serviço pra ajudar a irmã em alguma coisa. Ele não ganharia nada com isso, tecnicamente falando, mas ele sabe que é melhor. E a série vai rolando e é realmente bom ver Dexter progredindo em suas relações humanas, chegando até mesmo a confundir o espectador que esquece que ele é, antes de tudo, um psicopata.

E aqui acabo.



Isso rendeu umas 8 páginas no Word. Tô nem aí que ninguém vai ler esse troço gigante. Serviu para eu mesma entender porquê eu gosto tanto da série, e isso vale mais do que qualquer coisa.

2 comentários:

Jess disse...

eu li tudo :D e adorei a forma que você escreveu sobre DEXTER, mas tenho que confessar que não assisto, tenho vontade, mas já assisto taaantas séries que me seguro pra não incluir mais nenhuma na lista. Um dia pretendo assistir pq todos que assistem são viciados.

Jessica
coresocultas.blogspot.com

kamila kelly disse...

Ótima serie eu assisti parte da 1 ° temporada na RedeTV mais não sei se cortaram ou mudaram o horario quando colocava no canal não estava passando mais era um programa de culinária... fiquei com tanta raiva naquele dia ai cheguei a esquecer e agora estou retomando assistindo do inicio mais amo Dexter e Rita são lindos ele tão fofo com ela acho que apesar de no inicio ele fingir acho que ele ama ela de verdade sabe ...