domingo, 17 de julho de 2011

garotas gostosas nem sempre é machismo, matar os homens não é feminismo.

Depois de um bom tempo pensando e repensando sobre como será o futuro desse blog, eu meio que decidi continuar com o que fazia, sabe, porém com mais reviews de filmes e começar a fazer reviews de álbuns e videoclipes, coisas do gênero. Porque ficar comentando sobre como a vida é um porre é chato, e não dá para delinear um post contra homofobia ou machismo todos os dias. Eu não tenho estômago pra isso e deixo isso pra quem tem, como a excelente Lola ♥

Mas, sabe, tinha um filme que eu vi e eu estava ficando incomodada porque eu não escrevia nada sobre ele. Era aquela coisa básica de "muito bom" e "totalmente surreal", mas eu sentia que o filme merecia atenção. E após ver análises no Blogueiras Feministas e nos orkuts da vida, acho que precisa ser falado um pouco mais sobre ele. Porque a primeira impressão é uma coisa, a segunda é totalmente diferente. Sucker Punch é um longa dirigido por Zack Snyder que dirigiu 300 (que já assisti e recomendo à qualquer pessoa que goste de ver trezentos caras gostosos e seminus) e Watchmen (e esse já não vi). A história é basicamente o seguinte: uma jovem garotinha loira fica órfã. Sua mãe morre, e ela tem uma irmã e um padrasto muito mau (porque 'mau' é a melhor definição para quem gosta de abusar de outras pessoas. 'Nojento' é outra boa palavra). Essa garota é interpretada pela Emily Browning que também já fez a Violet em Desventuras em Série (seu papel mais notável, eu acho). Só que em na história sobre os três irmãos humilhados, ela estava com o cabelo castanho e nesse que ela faz a irmã mais velha desesperada, ela está loira e é possível que você nem associe uma pessoa a outra. Mas isso não importa. O lance é que no dia que a mãe morre e há todo o drama, o padrasto vai abusar da mais nova (e isso está implícito. Se não estiver enganada, não tem absolutamente uma única frase nos minutos iniciais que contam o começo da história) e a mais velha (que ainda não tem nome) vai ajudá-la. Um confronto, uma briga e um conflito no qual os fracos sempre perdem, a irmã mais nova morre e a mais velha é mandada para o hospício sendo acusada de ser louca, assassina e pirada da silva.



Então o padrasto decide que é preciso fazer uma lobotomia porque, você sabe, gente louca se resolve na base de mutilar o cérebro. Cinco dias pro médico chegar. Cinco dias para a garota fugir. O lugar é um hospício, daqueles insanos e cruéis. E aqui que começa o motivo do "Viagem Surreal" que tem no título brasileiro. Em uma determinada parte, sem nenhuma explicação, o cenário do hospício é deixado para trás, dando espaço para uma espécie de cabaré onde as pacientes são dançarinas que satisfazem os homens vestidas de cinta-ligas e corpetes justissímos. Não tem explicação nenhuma para essa brusca mudança de cenário e objetivo. Assim como não tem nenhuma explicação quando, drasticamente, o cenário é alterado para um campo de batalha na Idade Média, no Japão dos samurais ou em um mundo mega futurista com bombas e robôs. Mas não é para ter explicação: é surreal.

A frase que melhor define o filme, na minha opinião, é uma de Harry Potter. "É claro que está tudo dentro de sua cabeça, Harry. Mas isso não significa que não seja real", dita por Dumbledore em Relíquias da Morte. Sucker Punch é um filme sobre como a imaginação pode servir de refúgio, mas isso não quer dizer que nada daquilo seja uma mentira contada pela protagonista que ganha o apelido de Baby Doll. É claro que a história se passa em um hospício. Mas isso não significa que o cabaré nunca tenha existido. Isso não significa que quando Baby Doll lutava ao lado de suas amigas com espadas e armas pesadas de alguma guerra mundial, aquilo tudo não seja real: mesmo que fosse tudo projetado em sua mente. Muitos machos que fizeram suas críticas por aí falam algo de como o filme não tem nada de conteúdo, é só sobre mulheres gostosas que lutam vestidas de acordo com os fetiches e o filme vale a pena por isso. Lamento pela opinião deles, porque indica que eles viram o superficial, a epiderme do filme, digamos assim.



Se servir de fetiches para narrar o filme pode parecer uma tentativa de atrair marmanjos à primeira vista. Mas eu ~ opinião minha ~ vi muito além. O filme não é sobre garotas que estão vestidas de prostitutas para sensualizar. O filme é sobre garotas que, vestidas de prostitutas, estão procurando fugir daquele mundo. Elas não tem escapatória. Para onde elas vão, sempre tem alguém querendo machucá-la e esse alguém, quase sempre, é um homem. Apesar de elas dançarem para os homens, não vemos nenhuma dança. Todas elas são substituídas por lutas fantásticas contra dragões e robôs. Apesar de elas usarem as roupas e serem tratadas como objetos sexuais, temos a noção de que elas são muito mais do que aquilo. Elas sabem o que querem: liberdade. E é isso que os críticos machistas não entendem. Eles falam tanto de como "olha, gente, se você não gostar, pelo menos vai babar e tal" e isso tira todo o sentido do filme. Como se as roupas não tivessem um contexto ali. E tem feministas que detestam o filme justamente por essa coisa de objetificação e tal e eu acho que, pelo menos, elas deveriam dar uma chance a tentar entender a história um pouco mais.

Não é porque um filme que mostra mulheres de cinta-ligas que é um filme machista. Não é porque mulheres matam seus maridos no final que é um filme feminista. Devemos tomar muito cuidado com esses rótulos. Por exemplo, muitas pessoas consideram que Run The World (Girls) é feminista - tanto a música quanto o videoclipe. Eu discordo profundamente. Mas eu considero Sucker Punch muito feminista. Baby Doll está presa em um mundo de imaginação no qual ela se sujeita aos desejos masculinos e é um mundo que ela não gosta, mas é o mundo que ela é obrigada a viver para conseguir escapar da realidade do hospício. Porém quando ela precisa gritar mais alto pelo que ela quer, outro mundo se abre. Nesse mundo, ela é a rainha e suas amigas suas companheiras de guerra. Em qualquer camada, digamos assim, as amigas se sacrificam uma pela outra - depois de Baby Doll. Elas se tornam mais unidas, mais apegadas e entendem que enquanto elas se dividirem, vão continuar sendo machucadas. Mas quando elas se unem e se servem do sistema patriarcal para obterem a própria liberdade, elas podem escapar de tudo. Há muitas críticas sobre como o velhinho que ajuda elas na terceira dimensão (das guerras) é um homem e não uma sábia e tal. Só que eu considero que primeiramente: homens também deveriam lutar ao lado pelo feminismo. E em segundo lugar: ele é um símbolo patriarcal. Vi nos comentários do Blogueiras Feministas de que essa parte é uma das que representam as garotas "resignificando" símbolos patriarcais, usando eles ao favor delas.

No final do filme, temos o retorno do primeiro mundo, o do hospício. Nesse ponto, dá para entender o imenso jogo de imaginação que Baby Doll se prendeu para escapar da dor da realidade, porém continuamos sem respostas para as outras perguntas como: as outras garotas também viviam nessas outras dimensões ou era só Baby Doll? Há a psiquiatra - foi ela quem fez com que Baby Doll mergulhasse? Ela trabalha isso com as garotas: de fazê-las imaginar que estão em outros lugares onde podem controlar tudo. Há o médico que é o grande vilão controlador e perverso. Há a ameaça de lobotomia sempre presente e o medo da morte e do estupro. É um daqueles filmes que você pode odiar plenamente. Eu entendo. Mas dê uma chance - só porque as coisas são um pouco confusas, não quer dizer que as garotas não tenham nada a dizer.

Data: 2011
Diretor: Zack Snyder (Watchmen, 300, Madrugada dos Mortos)
Gênero: fantasia, ação, thriller, aventura.
País/Língua: EUA/Canadá, se fala inglês e em uma pequena parte, alemão.
Atrizes principais: Emily Browning (Baby Doll), Abbie Cornish (Sweet Pea), Jena Malone (Rocket), Vanessa Hudgens (Blondie), Jamie Chung (Amber).

Ficha do filme no IMDB.

4 comentários:

Leticia - PasCom disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Leticia - PasCom disse...

Espero que dessa vez eu consiga comentar; =D
Eu gostei desse filme,mas acontece que ele dá margem a diversas interpretações, pelo menos foi isso que eu achei e daí como você falou ter muito cuidado pra não levar ele para o lado feminista ou para o lado machista da coisa; No começo eu achei que era só coisa da cabeça dela, depois achei que era tudo verdade ( a parte do lugar ser na verdade outro) depois comecei a achar que era a doutora e por fim no final achei de novo que tudo era só imaginação. Devo assistir de novo para compreender as fases que você disse.
E ah! créditos ao divo Dumbledore, com suas frases mágicas genias. xD

Ah, e você agora nessa vibe de filmes, um dia desses posta falando de algum filme brasileiro de qualidade (viva aos curtas) que são poucos divulgados;

XOXO
até mais/

Thalita Oliveira disse...

Nossa até que enfim uma opinião diferente sobre esse filme , a maior parte das que eu li sempre rebaixavam as mulheres e diziam que o filme é super ruim... =S , ainda não vi, mas assim que der eu dou um jeitinho de ver ><

Bjim, bjim

http://cantinhodeumagarota.blogspot.com

Ana Luísa disse...

Oi Luna, tudo bem? Aqui é a Ana Luisa. Sou estudante de jornalismo, e estamos produzindo um jornal, com uma reportagem sobre liberdade de ser ateu, e os preconceitos sofridos por ter essa opção. Eu gostaria muito de fazer uma 'entrevista ' com você, algumas perguntas, pode ser por e-mail mesmo, você poderia ser uma fonte? Me dá um retorno, por favor? (analubussular@hotmail.com). Obrigada. Beijos