quarta-feira, 23 de junho de 2010

ser uma Madonna é pra poucos.


strike a poser.

Vontade de fotografar. Vontade de ter dom pra isso. Vontade de passar batom vermelho e parecer uma diva. Vontade de ser capa de revista e mal se reconhecer. Vontade de ser estrela.

Eu sou uma pessoa egocêntrica e, sim, quero o mundo inteiro. Já sonhei em ser capa de todas as revistas possíveis, inclusive planejando as respostas à todas as perguntas possíveis, imaginando poses, maquiagens, roupas e sorrisos dados. Desde pequena eu quero ser estrela. Mas não uma estrela vulgar. Eu não queria ser simplesmente mais uma, e sim a escritora talentosa, estilosa, a diva. Eu queria ser a Madonna da literatura.

Faz muito tempo desde aquilo. Mas ainda tenho em mim a vontade de superar todo mundo, a vontade de ganhar um Nobel da Literatura e agradecer em sete idiomas diferentes: português, inglês, espanhol, italiano, japonês, francês e alemão. Ainda quero ser uma estrela.

Minha irmã brinca que é porque sou leonina e todas as leoninas querem brilhar.

Mas até que ponto é saudável para uma pessoa querer se destacar? Até que ponto a fama é realmente positiva? Afinal todas as pessoas querem ser únicas, diferentes, capazes de se distinguir sem esforço. Querem se diferenciar pela postura, pelo cabelo, pelo olhar, pelo sorriso, pelas roupas, por tudo. Querem que você olhe para elas e digam: 'hey, isso é de fulana' e elas querem ser a fulana. Elas querem o que Madonna, Michael Jackson e os Beatles conseguiram: serem reconhecidos em qualquer lugar. Se alguém usa os óculos redondinhos, você lembra de Beatles. Se alguém faz o moonwalk, você lembra de Michael Jackson. Se alguém usa sutiãs em formato de cone, você lembra de Madonna.

Só que nem todo mundo pode ser um ícone. Nem todo mundo nasceu com traços particulares, com talento para qualquer coisa realmente relevante, com inteligência e jogo de cintura. Nem todo mundo sabe lidar com pessoas. É muito fácil a pessoa ser famosa, mas de cada cem casos que a pessoa fica famosa, em noventa e oito - digamos - ela retornará ao ostracismo. Porque as pessoas querem novidades, querem vida e se divertir em cima da desgraça alheia. Stephany da Crossfox é famosa, mas quem aí acha que ela realmente tem talento? Quanto custará essa brincadeira de ela ser famosa?

Há uma revista americana que tem uma seção especializada em fotos sem photoshop. Todas as fotos que foram tiradas na pior hora possível, do pior jeito, estão lá. De todo mundo: Cameron Diaz, Mariah Carey, Madonna, Britney Spears, etc. Afinal a mídia deita e rola em cima do povo que está famoso. E nós adoramos saber de tudo. Porque as pessoas costumam se sentir tão rebaixadas debaixo de todo o glamour e photoshop das estrelas que adoram saber que sob a luz do sol de oito da manhã, as estrelas compram pão e leite com celulite e cabelo bagunçado. Nem todo mundo tem saco pra ser uma diva vinte e quatro horas.

E ainda por cima as pessoas ficam famosas rápido demais e deixam a fama rápido demais. Mari Moon era a estrela adorada, hoje pouca gente ainda curte. As estrelas relâmpago do YouTube aparecem, estouram e somem. Pagamos pau pra todo mundo, esculhambamos todo mundo, evitamos e consumimos em um ritmo esquisito. Estou falando de forma tão clichê... todo mundo sabe disso.

Mas se todo mundo sabe disso, porque insistimos em consumir?

Quais são os nossos limites? Até onde você pode provocar? E quem você nunca pode provocar? Qual deve ser o tom certo para usar numa coletiva? Qual a pose mais legal? O que você quer passar?

Quem você encarnaria se você fosse uma estrela?



Nem me peçam para explicar a coerência desse post. Eu mesma não entendi.

3 comentários:

Umrae disse...

Coerência até que teve um pouco, não teve foi coesão, porque foi uma pulação de assunto que só...
Eu odeio esses e-mails e revistas que publicam fotos tiradas em momentos inoportunos das atrizes e cantoras. Porque parece que elas não tem direito de serem gente, de serem humanas e imperfeitas. E a maioria das pessoas que fala da boca para fora da ditadura da beleza é a primeira a meter o pau na famosa quando vê uma foto dessa. O que me leva a questionar se algumas dessas pessoas que afirmam assim REALMENTE querem ver pessoas como elas na televisão e revistas (quando vêem, reclamam).
E, se quer saber, esse povo para mim não prova muita coisa não. A maioria dessas atrizes, sem maquiagem, no dia em que acordou de ressaca, com aquela expressão facial que não favorece da foto que eles esperaram um tempão para conseguir, ainda tem a pele mais lisa, sem manchas, espinhas e cravos, do que eu, ainda tem o rosto mais proporcional, ainda são mais bonitas e pronto. Porque elas são escolhidas porque são mais bonitas que a média. Se maquiagem e photoshop bastassem, qualquer pessoa aleatória que passasse na rua seria pega para estrelar comerciais e posar para editoriais de moda. Então acho uma baita hipocrisia querer forçar a barra para tirar delas o único mérito que não pode ser contestado ou negado por calúnias ou outros artifícios.
Todo mundo adora vigiar celebridades, provavelmente por causa do tédio da própria vida. Para mim, é uma das razões desse consumo. Convenhamos que, a cada vez que aparece uma dessas novas cantorazinhas pop (especialmente as da Disney), só falta o povo fazer bolão para ver quanto tempo levará para sair o primeiro escândalo: fotos nua na internet, envolvimento com drogas, bulimia, agressão, qualquer coisa assim. Porque já é previsível.
Eu gosto de fato de ver gente "normal" na TV, e acho que é o principal motivo de eu nunca ter gostado nem de boy-bands nem de novelas da Globo. É tudo muito artificial. Estava comentando com o meu pai outro dia, porque a gente estava assistindo um dos capítulos da reprise de Ana Raio e Zé Trovão que está passando no SBT agora (e que eu assistia e adorava quando era pequenininha, e não tinha noção do que pudessem vir a ser "direitos dos animais"). Achei o máximo porque os figurantes são feios. Porque os cenários não são tudo cidade cenográfica. Porque as feiras e festas do peão parecem mesmo com as das cidadezinhas de menos de 30000 habitantes do interior daqui em que eu ia quando era pequena (mundo de festa de peão na Globo = Barretos ou ribeirão Preto, que são cidades enormes). Aliás, o primeiro show que eu assisti na vida, com uns 5 ou 6 anos, foi do Almir Sater, numa festa no município em que minha mãe nasceu, que é um ovo. Porque os quatro cantores (duas duplas) de música caipira que viajam com a companhia tocando nos restaurantes desafinam de vez em quando e não são bonitos. Não são celebridades atuando (tipo o Daniel nas novelinhas das 6). Sei lá, parece de verdade, parece com o que eu via quando era pequena.
É como eu falo, empresa de novela da globo é o presidente, uma diretoria, uma secretária enxerida e ou acabou, ou tem uma fábrica também. Não existe média gerência, não existe auxiliar de escritório, não existe todo o pessoal administrativo. Quantos personagens de novela você já viu que fossem analistas contábeis ou assistentes financeiros? Técnicos de Helpdesk? Nenhum.


Bjos

Umrae disse...

Tive que quebrar em dois porque o blogger não aceita comentário longo, e esqueci de apagar a última linha.

Eu nunca tive vontade de ser mundialmente famosa. Essa modinha que tem de chamar tudo de "Diva" agora me dá uma certa azia. Mas eu já tive vontade me tornar "localmente" famosa, de ser formadora de opinião, de ser a boa influência, referência em algum campo profissional. Algo como ser professora chefe de cadeira em universidade renomada, ou a vereadora que criou algum projeto que melhorou muito a qualidade de vida na cidade, umas coisas assim.
Jamais gostaria de ser reconhecida a qualquer custo, tipo, por uma coisa idiota que fiz. Fico preocupada com esse "Efeito Leeroy Jenkins" que a internet criou, dando exposição absurda a quem faz coisas simplesmente idiotas (estilo fangirl que causa vergonha alheia nas pessoas). Qual a vantagem disso?
Ah, e Mari Moon nunca foi "estrela adorada", ela é mais uma "sub-celebridade local" e sempre vai ser. Pergunta se alguém que não frequenta compulsivamente a internet sabe quem ela é? Alguém que não faz parte da faixa etária e estilo comportamental do publico da MTV? E mesmo assim, foi polêmica, não incontestável (e quando eu digo incontestável, não estou dizendo algo que todo mundo goste, mas pelo menos algo que os que não apreciam ao menos reconhecem como artista/celebridade de verdade. Eu posso não gostar da Lady Gaga, por exemplo, mas ela é incontestavelmente uma artista renomada. Mari Moon era uma menina que pintava o cabelo de tons berrantes e tirava fotos de camisola de cetim e coturno... E...Grande coisa...).

Bjos

Felipe disse...

Quem nunca quis ser reconhecido por alguma coisa que fez? Quem nunca quis brilhar? Eu mesmo já me vi ganhando prêmos nobeis da paz, da literatura, de medicina. Sonhei com o oscar de melhor ator e por aí vai. Claro que nem todos tem o talento para ser famoso. Tem que ser talentoso para viver como uma celebridade. O mundo, nós, somos cruéis com qualquer pessoa. Tentamos fazer parecer que não há ninguém melhor que nós. Não adianta dizer que não, pois isso é verdade. Como é o caso das revistas de fofocas.
No fim nunca é fácil sermos nós mesmos, simples mortais sem fama alguma. Imagina ser um famoso? Tem que ter cabeça ou não. Nem todos são comos os Beatles ou como a Madonna.