segunda-feira, 8 de março de 2010

boas mulheres



Fica acima a propaganda.
Fica aqui: hoje o dia não é para festejar, comemorar ou dar parabéns. E sim para refletir sobre os nossos avanços, sobre o equívoco "feminismo ser o inverso do machismo", sobre a difereça salarial entre homens e mulheres, sobre o dois pesos, duas medidas para homens e mulheres, sobre a crueldade que a mulher ainda é tratada em muitos lugares do mundo. Que anote-se: pouco mudou desde 1857 quando as operárias morreram sufocadas pelo fogo que os patrões mandaram pôr na fábrica devido aos protestos "das mulheres".

As pessoas tem a errônea impressão de que as mudanças já foram feitas. Porque já podemos votar, e conseguimos quebrar uma série de barreiras estúpidas como a de casar só se o pai permitir, ser propriedade do pai, depois do marido e o direito à uma Delegacia, porque simplesmente ninguém tinha preparação para estupros. Ainda falta muita coisa, mas muita coisa. A mulher ainda é vista como ou a gostosona ou a nerd chata, as propagandas continuam passando ora mulheres peladas ora mulheres maternais, as revistas ainda pregam o tudo que temos que fazer para atingir a perfeição: sermos boas mães, esposas, trabalhadoras, guerreiras, donas-de-casa. Porque a responsabilidade da dupla-jornada ainda cai sobre nós, e a mulher que não quer filho é mal-vista como alguém que nega sua feminilidade, como se ser mulher fosse ser mãe.

Precisamos acabar com essa história com esses tratamentos diferenciados em relação ao sexo, lembrando que as mulheres tem tanto direito de transar quanto os homens. Se elas querem transar com muitos, elas devem poder fazer isso sem ter que escutar julgamento moral alheio que nunca se aplica ao homem. As novelas tem que parar de propagar o quanto homens como o Marcos é irresístivel, porque ele não é e as mulheres realmente desprezam o tipo dele. Estupros nunca, NUNCA são aceitáveis e é extremamente indelicado supor que uma mulher pediu por estar usando minissaia, por exemplo, além de ser um exemplo de falta de caráter e massa cinzenta porque só alguém estúpido aceitaria essa hipótese.

Estamos fartas de sermos as mães eternas, as manequins aceitáveis, as esposas desejadas, os furacões sexuais que todo homem quer, a supra competência no trabalho. Porque se não formos boa mãe, somos menos mulher. Se não formos desejadas, aceitáveis e a busca do ideal de beleza, somos menos mulheres. E se não somos as esposas ideal de todo homem, bem, menos mulher. E se for uma pessoa normal no trabalho, menos mulher. Porque a sociedade cobra muito e não adianta negar, mas ela ainda é irracional, hipócrita, machista. Seria um deserviço mostrar que essas mudanças já foram todas feitas, de modo que por hoje honremos a memória das muitas feministas que pereceram na luta por uma sociedade igual. Por hoje honremos a memória das muitas mulheres que morreram em abortos ilegais, foram para guerra, trabalharam em fábrica, pariram rebentos, cuidaram de reis, generais e papas e com - muito - sangue escreveram a nossa história.

Continuemos a história delas. Com sangue, honra e dignidade.



Campanha contra a mutilação genital. É, sentem tanto medo do nosso 'fogo' que amputam nossos clitóris.

5 comentários:

Blanca disse...

Cara, ficou muito, ma smuito bom, Luna. Parabéns. :')

Umrae disse...

Brilhante, Srta. Luneta, brilhante.
Bjos

Laís Dourado disse...

Verdade Luna, ficou muitissimo bem escrito o seu texto! Eu queria copiar ele inteiro e colocar um [2] aqui no comentário!
:)
Quem dera as pessoas mandassem textos assim umas pras outras em vez daquelas mensagens ridículas de "Parabéns mulher-guerreira-graciosa-estatua-majestosa-do-amor".

:*

Anônimo disse...

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Anônimo disse...

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